quarta, 21 de outubro de 2026
14/09/2026   16:00h - Ciência & Tecnologia

Pesquisa mostra que humanos usam drogas há pelo menos 25 mil ano

Uma pesquisa publicada na revista científica Science Advances encontrou evidências de que seres humanos já consumiam substâncias psicoativas há cerca de 25 mil anos. O estudo analisou dois esqueletos encontrados em cavernas de Sulawesi, na Indonésia, e identificou sinais associados ao consumo da noz de betel, também conhecida como noz de areca.

 

O esqueleto mais antigo tem entre 25 mil e 16 mil anos, enquanto o segundo viveu entre 7,6 mil e 6,3 mil anos atrás. Os pesquisadores encontraram nos dentes um tipo incomum de desgaste, formado por sulcos arredondados e contínuos. A análise indicou que os indivíduos provavelmente mantinham um objeto duro e esférico entre os dentes e o giravam repetidamente na boca, comportamento compatível com o hábito de chupar a noz de betel.

 

Testes realizados em laboratório mostraram que a semente poderia liberar arecolina mesmo sem ser mastigada. A substância também foi identificada nos tecidos dos esqueletos, reforçando a hipótese de consumo. Diferentemente do uso tradicional atual, porém, os indivíduos provavelmente consumiam a planta em sua forma bruta, já que não foram encontrados sinais característicos do processamento da noz com cal hidratada.

 

A arecolina atua sobre receptores do sistema nervoso e pode provocar sensação de alerta, leve euforia e maior disposição física. A substância também possui efeito analgésico e aumenta a salivação. Apesar desses possíveis benefícios, o consumo prolongado pode causar danos graves à saúde bucal. O desgaste observado nos dentes chegou a expor a polpa dentária, levando os pesquisadores a considerar a possibilidade de que o alívio da dor proporcionado pela substância tenha contribuído para a manutenção do hábito ao longo dos anos.

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