sexta, 16 de outubro de 2026
09/10/2026   16:20h - Pesquisa

Pesquisa alerta sobre danos mentais ao praticar esportes obsessivamente

A linha divisória entre o compromisso com a saúde e a dependência nociva dos esportes tem se tornado cada vez mais tênue, aponta um estudo publicado no Journal of Behavioral Addictions. Desenvolvida por pesquisadores das universidades ELTE Eötvös Loránd e Széchenyi István, na Hungria, em parceria com a Universidade Flinders, na Austrália, a análise revela que a prática compulsiva de atividades físicas atinge entre 3% e 42% dos grupos avaliados. A dependência caracteriza-se principalmente pela perda progressiva do controle, levando indivíduos a treinarem mesmo sob condições severas de dor, lesões musculares ou enfermidades, acompanhados de intenso sofrimento emocional e sintomas de abstinência quando impossibilitados de exercitarem-se.

 

Segundo o levantamento, a tendência em priorizar metas de treino em detrimento de compromissos familiares, profissionais e afetivos resulta em um isolamento social progressivo. Para mapear o nível de dependência, os cientistas utilizaram a Escala de Dependência de Exercícios (Exercise Dependence Scale - EDS), ferramenta fundamentada na análise de sete dimensões centrais: tolerância, abstinência, efeitos de intenção, falta de controle, tempo excessivo dedicado, redução de outras atividades e continuidade irrestrita.

 

Embora a compulsão por exercícios ainda não constitua um diagnóstico formalizado nos manuais de medicina, os autores destacam abordagens terapêuticas eficazes baseadas no tratamento de outros transtornos comportamentais. O protocolo envolve o acompanhamento psicoterapêutico contínuo, suporte farmacológico voltado ao manejo de ansiedade, depressão e transtornos alimentares associados, e a reestruturação gradual da rotina de treinos para níveis moderados.

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