A presença de microplásticos em rios, igarapés e lagos da Amazônia atinge diretamente a fisiologia de espécies locais como o pirarucu e o tamoatá. No caso do pirarucu, que depende da respiração aérea, o plástico pode obstruir a glote, alterar o controle respiratório e provocar graves processos inflamatórios. Já em peixes de fundo e em pequenas espécies de igarapés, a contaminação causa lesões internas, eleva o estresse e gera perda de peso, pois o organismo redireciona energia para combater a presença das partículas em vez de crescer.
O acúmulo de poluentes nos tecidos da fauna aquática acende um alerta para a segurança alimentar e a saúde humana na região. Com um consumo médio anual de 14 quilos de peixe por pessoa no Amazonas, número cinco vezes maior do que a média nacional, a contaminação da biodiversidade aquática cria uma via direta para a ingestão diária de microplásticos pela população local.
A dinâmica da poluição é agravada pelo ciclo natural de cheias e secas da bacia amazônica e pelo descarte irregular de lixo urbano. Com estudos registrando altíssimas concentrações de plástico em rios e no sistema digestivo de espécies populares como o jaraqui, cientistas reforçam que os danos à fauna aquática ameaçam não apenas a conservação dos ecossistemas, mas também a sobrevivência econômica e a subsistência das comunidades ribeirinhas.
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