Monday, 08 de June de 2026
09/12/2023   16:00h - Meio Ambiente

Pecuária é o principal vetor de perda de vegetação em metade da América do Sul

Um novo mapeamento abrangendo 844 milhões de hectares na América do Sul, correspondendo a 47% do continente, revelou que a abertura de novas áreas de pasto tem sido o principal fator de mudanças nos ecossistemas, especialmente na Amazônia. Os dados, parte do MapBiomas Amazonía - Coleção 5.0, mostram que, entre 1985 e 2022, 84 milhões de hectares de vegetação natural foram convertidos em áreas agropecuárias, com destaque para pastagem, ocupando 66,5 milhões de hectares, representando 77% da área transformada.

 

A área avaliada ultrapassa os limites da Amazônia Legal brasileira, incluindo territórios na Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia e as Guianas. No total, 136 milhões de hectares, ou 16% da Pan Amazônia, foram alterados pelo uso antrópico da terra em 2022, um aumento de 169% desde 1985. O crescimento das atividades minerárias também é evidente, com um aumento de 1367% em 38 anos, atingindo meio milhão de hectares. Essas mudanças têm implicações sérias para a região, incluindo a retração de 48% dos glaciares devido ao aquecimento global associado ao desmatamento.

 

Imagens de satélite destacam que a conversão de florestas em pastagens é mais pronunciada no Brasil, especialmente no Arco do Desmatamento, abrangendo estados como Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas. Na Colômbia e Venezuela, observa-se padrões semelhantes. Na Bolívia, o desmatamento abriu espaço para uma extensa área agrícola em Santa Cruz, no sul da bacia amazônica. O crescimento exponencial da agropecuária é acompanhado por padrões heterogêneos em outros países amazônicos, como o Peru.

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