Alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ser instalada na Câmara Municipal de São Paulo, padre Júlio Lancellotti é uma figura conhecida nacionalmente pelo trabalho que realiza com a população em situação de rua na capital paulista. Há mais de 40 anos militando pelos pobres, o sacerdote, de 75 anos, é coordenador da Pastoral do Povo da Rua, da Arquidiocese de São Paulo.
A CPI será criada para investigar as organizações não governamentais (ONGs) que atuam na Cracolândia, na região central de São Paulo. O autor da proposta, vereador Rubinho Nunes (União Brasil), prevê que a comissão seja instaurada em fevereiro, após o recesso parlamentar, e diz que a medida já conta com o apoio de 30 vereadores.
Rubinho acusa duas organizações, a Craco Resiste e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, conhecida como Bompar, de promoverem uma “máfia da miséria”, que “explora os dependentes químicos do centro da capital”. O padre já foi conselheiro do Bompar e desenvolve um dos principais trabalhos sociais na capital paulista.
Segundo o vereador, essas organizações recebem dinheiro público para distribuir alimentos, kit de higiene e itens para o uso de drogas à população em situação de rua. A política de redução de danos, segundo ele, gera um “ciclo vicioso” no qual o usuário de crack não consegue largar o vício.
O padre Júlio declarou que a instalação de CPIs para investigar o uso de recursos públicos pelo terceiro setor é uma ação legítima do Poder Legislativo. O padre também esclareceu que não faz parte de nenhuma organização conveniada à Prefeitura de São Paulo, mas, sim, da Paróquia São Miguel Arcanjo.
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