quinta, 23 de abril de 2026
28/02/2026   11:05h - Política Internacional

ONU: violência contra as mulheres se tornou "emergência global"

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a violência contra as mulheres como uma “emergência global” durante discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta sexta-feira (27). Segundo ele, cerca de 50 mil mulheres e meninas foram assassinadas em 2024 em todo o mundo, a maioria morta por integrantes da própria família, cenário que evidencia a gravidade e a dimensão estrutural do problema.

 

Türk citou casos emblemáticos que ganharam repercussão internacional, como o de Gisèle Pelicot, na França, e o do financista norte-americano Jeffrey Epstein. Pelicot, de 71 anos, foi drogada e abusada sexualmente por dezenas de homens ao longo de uma década, em crimes articulados pelo ex-marido. Para o alto comissário, tanto esse episódio quanto os chamados “arquivos Epstein” revelam a extensão da exploração e do abuso contra mulheres e jovens, muitas vezes acobertados por estruturas de poder.

 

Em sua fala, Türk afirmou que esses crimes são facilitados por sistemas sociais que silenciam vítimas e protegem homens influentes da responsabilização. Ele alertou para o aumento das ameaças aos direitos de mulheres e meninas e cobrou dos países investigações rigorosas, proteção às sobreviventes e garantia de justiça “sem medo ou favorecimento”. O comissário também demonstrou preocupação com a crescente normalização do uso da força em conflitos globais, cenário que, segundo ele, tem criado um verdadeiro “deserto de direitos humanos”.

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