Um estudo publicado ontem (26), pelo consórcio científico World Weather Attribution (WWA) confirmou que a atual onda de calor que atinge a Europa é a mais intensa e abrangente já registrada na região. De acordo com os pesquisadores, o evento seria "virtualmente impossível" há 50 anos e foi diretamente intensificado pelo aquecimento global de 1,4°C, provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Os cientistas alertam que a probabilidade de temperaturas máximas consecutivas por três dias aumentou mais de 500 vezes devido à crise climática.
O fenômeno tem quebrado recordes históricos, com a França registrando seus dias e noites mais quentes da história, o que forçou o desligamento de usinas nucleares cujos reatores dependiam da água dos rios para refrigeração. O grande perigo atual reside nas chamadas "noites tropicais", quando os termômetros não baixam dos 20°C. Sem o resfriamento noturno do solo, o corpo humano não consegue se recuperar do estresse térmico, gerando fadiga extrema e sobrecarregando os serviços de saúde em capitais como Londres e Paris, além de causar mortes na Itália e na Espanha.
O impacto é agravado pela falta de infraestrutura, já que apenas 20% das construções europeias possuem ar-condicionado, e a maioria dos prédios públicos e escolas foi projetada para um clima frio. Embora os países tenham melhorado seus sistemas de alerta desde a tragédia climática de 2003, especialistas ressaltam que as medidas atuais são insuficientes para o ritmo do aquecimento.
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