quinta, 23 de abril de 2026
11/02/2023   08:16h - Entrevistas

ON Jornal entrevista Victor Salviati, superintendente de inovação e desenvolvimento da FAS

Com a crise humanitária que afeta gravemente os povos originários na região do Amazônica, o governo federal juntamente com outras instituições, uniram forças para tentar sanar a tragédia instaurada no país, mais especificamente, em Roraima.


Representantes da PF, Força Nacional de Segurança, do Ministério da Defesa, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ONG’s e instituições, se articularam para enviar suprimentos ao local.


A Fundação Amazônia Sustentável (FAS), organização protagonista em sustentabilidade, recentemente, assinou um termo de cooperação com o objetivo de fortalecer a identidade dos povos indígenas da Amazônia. Fundada em 2008 e com sede em Manaus/AM, ela atua com projetos voltados para educação, empreendedorismo, turismo sustentável, inovação, saúde e outras áreas prioritárias.


A FAS e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) passam a realizar um trabalho em conjunto baseado em quatro pilares essenciais para o sucesso das atividades.


Para entender os detalhes dos trabalhos, o ON Jornal conversou com Victor Salviati, superintendente de inovação e desenvolvimento institucional da FAS. Confira.


ON Jornal- Os trabalhos de ajuda os povos indígenas junto a Coiab já iniciaram?


Victor Salviati - Sim. A assinatura do termo formalizou a parceria histórica da FAS com as organizações indígenas da Amazônia, em especial com a Coiab. Desde 2015, com a criação e consolidação da Agenda Indígena da FAS, a organização realiza projetos de empoderamento feminino, empreendedorismo, gestão territorial e saúde. O termo de cooperação entre a Coiab e a FAS foi assinado no último dia 25 de janeiro.


ON Jornal- Como será esse trabalho inédito aplicado na prática?


Victor Salviati - A partir de um planejamento realizado com o apoio de mais 13 organizações indígenas, a Coiab e a FAS mapearam as principais necessidades dos povos indígenas beneficiados pelas ações diretas das organizações. O trabalho é baseado em quatro pilares principais: proteção territorial, sustentabilidade, bem-viver e permanência nos territórios, com o objetivo principal de fortalecer a identidade dos povos indígenas da Amazônia.


ON Jornal- Na visão da instituição, como agir para que situações como as dos yanomamis não se repitam?


Victor Salviati - A tragédia que assolou o povo indígena Yanomami revela uma falha no comprometimento com a vida humana. Esse processo histórico representa falhas na gestão pública, em diversos níveis, diante da degradação ambiental, violação dos direitos humanos e comprometimento da vida. As esferas estaduais e federais, juntamente com a sociedade civil organizada e movimentos locais devem ter atuação vigilante para entendimento do contexto e, por meio de políticas públicas e ações programáticas, proporcionar a proteção e o desenvolvimento territorial da Terra Indígena dos Yanomami. Adicionalmente, o jornalismo sério deve ser ferramenta essencial para o engajamento dos atores sociais e mecanismo de denúncia efetiva.


ON Jornal- Como a FAS enxerga a crise do garimpo ilegal nas reservas? O que falta ser feito para acabar com essa prática? 


Victor Salviati - A FAS é contra a quaisquer atividades ilegais e que promovem a destruição da natureza, má gestão dos recursos naturais e que acarretam problemas sociais. Atividades de garimpo são ilegais e devem ser combatidas pelos órgãos de controle e fiscalização.


Toda e qualquer atividade econômica humana tem impactos negativos. Portanto é preciso investir em ciência aplicada para melhor entender as dinâmicas e avaliar se tal atividade pode ser desempenhada com impacto reduzido. Isto deve ser combinado com a devida fiscalização para combater as atividades ilegais – aumento o risco e deixando mais custosa as ações ilícitas.


Atividades econômicas regulares e legalizadas, desempenhadas pelos povos da floresta, devem ser incentivadas. Não podemos esquecer que existem mais de 10 milhões de pessoas que vivem e dependem diretamente da floresta. A FAS, assim, desde 2008 apoia e incentiva programas e projetos de segurança alimentar, bioeconomia e empreendedorismo indígena e ribeirinho para contribuir com prosperidade na Amazônia.


ON Jornal- Como a FAS trabalha pra incentivar a economia sustentável na região?


Victor Salviati - A FAS busca construir soluções sustentáveis por meio de oficinas e encontros participativos e inclusivos, nas comunidades beneficiadas, por meio de uma escuta ativa e apurada – respeitando os direitos e a dinâmica dos povos da floresta. Por meio desta escuta ativa, a FAS possibilita o engajamento local, aumentando a eficácia e a perenidade de programas e projetos.


Através do Programa de Empreendedorismo e Negócios Sustentáveis da Amazônia (Pensa), por exemplo, a FAS desenvolve uma plataforma estratégica de atuação que une princípios da Tecnologia Social para formar empreendedores e apoiar o desenvolvimento de negócios sustentáveis em 583 comunidades de 16 Unidades de Conservação (UCs). Nos últimos cinco anos, empresas de base comunitária apoiadas pela fundação alcançaram faturamento de quase R$ 3 milhões.


A estratégia principal é formar pessoas e oportunizar recursos para desenvolver negócios sustentáveis na região. Desse modo, a FAS fortalece a cultura empreendedora entre os beneficiários, potencializa cadeias produtivas estratégicas das comunidades, facilita o acesso à financiamentos de crédito e investimentos de impacto, entre outras atividades.


ON Jornal- Como as incubadoras trabalham para ajudar no empreendedorismo?


Victor Salviati - Por meio de capacitações, mentorias personalizadas, desenvolvimento de produtos/serviços e intercâmbio de experiências, a Incubadora da FAS apoia, desenvolve e qualifica empreendedores e negócios sustentáveis de comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia. A incubadora tem um método de gestão com processos e práticas chaves reconhecidas e validadas em âmbito nacional pelo Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne) da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) em parceria com o Sebrae, o que comprova a sua capacidade de gerar e promover empreendimentos inovadores e bem-sucedidos nas Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia profunda.


ON Jornal-  Como fazer para obter os incentivos e fazer parte das atividades da FAS?


Victor Salviati A FAS tem trabalhado com campanhas específicas de engajamento da sociedade para atender demandas estratégicas e emergenciais. Em nossas redes sociais, @fasamazonia, tem a campanha de apoio à captação de recursos para a emergência sanitária na TI Yanomami.

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