Este ano é marcado por um evento de extrema importância para os brasileiros, as eleições. Apesar de ser um momento decisivo para fazer as mudanças no Amazonas, existem diversas informações soltas e desencontradas sobre os candidatos para governar o Estado. Pensando nisso, o ON Jornal fez uma entrevista exclusiva com um dos candidatos para governador do Amazonas, Marcelo Amil (PSOL), abordando temas como educação, saúde e a economia do estado, além de sua visão política e crítica sobre como está o Amazonas atualmente. Confira:
O Amazonas tem uma política tradicional. Os políticos são sempre os mesmos e com as mesmas propostas. Em entrevista ao Cenarium, você disse que ia enfrentar essa política, o que lhe diferencia dos políticos tradicionais do estado?
Eu sou vítima desses políticos tradicionais. Sou de origem humilde, cresci na periferia, andei de ônibus, estudei em escola pública, conheci o desemprego e sei o quanto um governo negligente com os mais pobres é nocivo pra vida das pessoas. Eu sou a antítese de todos eles.
Você atualmente é defensor no Tribunal da Justiça Desportiva do Amazonas. Quais seus planos para a área esportiva do estado?
Tornar o esporte uma política de estado, não uma boa vontade de qualquer governante. Bolsonaro assumiu o governo federal e extinguiu o ministério do esporte, em efeito cascata tivemos a extinção das secretarias estadual e municipal de esportes colocando o esporte em plano secundário. Isso é um erro. Esporte é saúde, integração e identidade regional. Em nosso governo vamos tratar esses elementos como políticas de estado.
O que o motivou a entrar para a política?
A insatisfação com a vida que levamos. As coisas não estão bem. Direitos estão sendo suprimidos, oportunidades estão sendo negadas, os serviços públicos têm cada vez menos qualidade, cada vez mais pessoas estão na miséria. Não podemos achar a fome normal. Infelizmente eu não via e continuo não vendo opções diferentes do que temos. Sempre fui muito proativo, nunca gostei de esperar. Então se não enxergo algo que vejo como positivo, eu vou lá e me apresento ao processo.
Apesar de você ter uma inclinação maior para o esporte e movimentos sociais, você tem algum planejamento para a economia do Amazonas, tanto relacionado a zona franca de Manaus como agricultura e apicultura no interior?
A economia é a mola geradora de condições sociais, pro bem e pro mal. Sem uma economia saudável não há sustentação pra efetivação de projetos de transferência de renda nem tampouco pra auxílios aos mais pobres, por exemplo. A ZFM é o que nos sustenta, mas temos usado de forma errada. Precisamos urgentemente mudar a matriz econômica. Não há vontade política dos atuais governantes em mudar essa situação. É inadmissível que Manaus consuma tambaqui produzido no estado de Roraima quando cinco dos seis maiores rios do mundo estão no Amazonas. A UEA é uma ferramenta indispensável que deve ser utilizada para direcionar o uso do solo com técnica e base científica calçada na sustentabilidade.
Caso o senhor venha ser eleito como governador, existem planos para diminuir essa desigualdade de urbanização, tratamento de esgoto e outros serviços básicos no Amazonas?
Nós precisamos parar de tratar o interior como bairros distantes e desimportantes. As áreas urbanas devem ser prestigiadas e o governo tem como realizar essas intervenções, de forma direta na região metropolitana e de forma indireta através do repasse de recursos às prefeituras do interior.
A geografia do Amazonas faz com que as cidades sejam muito isoladas umas das outras, com poucas estradas (em especial asfaltadas) e dificultando a locomoção dos amazonenses. Você já pensou em um projeto para diminuir essa dificuldade?
Precisamos efetivar o balizamento dos nossos rios, isso vai gerar eficiência no transporte fluvial, e aumentar a segurança da navegação, e a navegação é a principal forma e transporte intermunicipal do caboclo. A duração de uma viagem feito de motor convencional é reduzida em pelo menos 50% quando feita de barco a jato. A AFEAM pode estabelecer uma linha de crédito destinada especificamente a financiar a substituição dos motores de linha por barcos a jato, e simultaneamente investir em portos fluviais com qualidade, nos moldes do que é feito no Uruguai, por exemplo.
A pandemia arrastou diversas famílias para a linha de pobreza, tendo diversas crianças e pais pedindo comida nas ruas. Não é um problema simples e rápido de ser resolvido, mas você já tem em mente um plano para amenizar essa situação? Aumentaria os auxílios, criaria outros?
Não foi simplesmente a pandemia quem derreteu a economia brasileira. Em fevereiro de 2020, antes da pandemia, o real já era a 5ª moeda mais desvalorizada do planeta, ou seja, a pandemia serviu como pretexto pra que o governo federal mascarasse sua incompetência. Os auxílios são uma política necessária e o PSOL os defende desde sempre. Em nosso governo eles serão ornador política de estado, serão obrigações inseridas na constituição do Amazonas, e sobre isso falo com propriedade, pois mesmo sem nunca ter sido deputado, já emendei a nossa constituição.
A pandemia mostrou como o nosso sistema de saúde público sofre em termos de qualidade, nos interiores, por exemplo, não haviam hospitais para tratar os doentes, precisando ser enviados para Manaus. Você planeja alguma política voltado a esse problema, a falta de acesso a saúde no interior?
Que nosso sistema de saúde como um todo é ruim, já sabíamos, o que a pandemia escancarou foi que ele não existe em sua completude. Dos 62 municípios do Amazonas, apenas Manaus possuía UTI’s. Nenhum município do interior possuía, o que é absurdo e deve ser objeto imediato de estruturação. Nos primeiros seis meses vamos comprar e instalar UTI’s em todos os municípios.
Mesmo antes da pandemia, a educação do estado não era uma das melhores do Brasil. Que medidas você tomaria para melhorá-la?
Precisamos mudar a lógica de administração do ensino e me agrada bastante a forma como existe a estrutura da defensoria pública. Sendo eleito, o objetivo é tornar constitucional que a chefia da SEDUC seja exercida sempre por um professor de carreira. A gestão da SEDUC por alguém que vive a SEDUC, que ali adentrou através de concurso público será um substancial diferencial no olhar aplicado ao órgão. O prestígio aos professores será sobremaneira uma revolução e esse será o nosso primeiro passo na busca por qualidade duradoura na gestão do ensino amazonense.
Você já teve alguma participação em alguma PL ou em movimentos sociais?
Sim, eu sou o autor da emenda constitucional 11/2017 que alterou a constituição do estado do Amazonas. Tenho alguns projetos de lei tramitando na câmara municipal, e na condição de presidente de comissão da OAB estou acompanhando a elaboração de uma minuta de Projeto de Lei de Incentivo ao esporte. Sobre os movimentos sociais eu vim dele. Sou oriundo do movimento estudantil onde aprendi muito, por exemplo.