O enfermeiro é o profissional da área da saúde que acompanha e cuida de pacientes prestando todo tipo de assistência e garantindo a aplicação correta do tratamento médico. Realiza os primeiros cuidados em pacientes acidentados ou em crises, faz curativos, administra medicamentos e coleta amostras para exames. O profissional de Enfermagem auxilia médicos durante cirurgias, exames, tratamentos ou recuperações pós-cirúrgicas.
Em tempos atuais, mais precisamente nesses dois anos de pandemia do covid-19, vimos muitos desses profissionais na linha de frente se sacrificando e doando suas vidas por causa de um bem maior. De acordo com o Censo da Educação Superior, o curso de Enfermagem está entre os dez cursos com o maior número de matriculados.
Com o intuito de dá voz e vez aos profissionais da Enfermagem e também de atualizar o leitor do nosso jornal sobre a realidade da Saúde Pública no Amazonas – a redação de jornalismo do On Jornal traz nessa edição um bate papo com o Enfermeiro Elton Aleme, que é especialista em Geriatria e Gerontologia e Coordenador do Fórum de Entidades de Enfermagem do Amazonas - FEEAM.
O que seria o FEEAM?
Elton: É o Fórum de Entidades de Enfermagem do Amazonas, reúne diversas entidades como: Associação Brasileira de Enfermagem (Aben); Conselho Regional de Enfermagem (COREN); Sindicatos (SINDIPRIVI, SINDSAUDE, SINPROENF); ABENFO; MAE; Escolas de Enfermagem da UFAM, UEA E CETAM.
Qual o cenário atual da Saúde no Amazonas?
Elton: O Amazonas foi um dos estados que mais sofreu por conta da Pandemia do Covid 19, tanto pela precariedade das estruturas de atendimento de saúde, em especial no interior do Estado, quanto pela desvalorização que passa os profissionais de saúde, em especial pelo aumento de profissionais contratados pela terceirização. A Falta de oxigênio foi só um dos grandes problemas, ainda temos uma grande carência na realização de exames de média e alta complexidade, e a inexistência de estruturas de referências nos polos de saúde, causando sobrecarga a estrutura hospitalar instalada na capital.
Quais as complexidades da Saúde Pública no Estado?
Elton: Creio que temos problemas estruturantes inicialmente, os Polos regionais de saúde inexistem, não funcionam, logo as complexidades de assistência são transferidas para a capital, cirurgias ortopédicas, de colecistectomia (vesícula), parto com distócia (pela ausência de maternidades equipadas no interior) quase não dá possíveis serem realizadas em municípios como Humaitá, Tefé, Tabatinga, Parintins e até Manacapuru, por exemplo.
O fator logístico pesa, porém, precisa ser enfrentado com seriedade, não é possível que o Amazonense tenha que se deslocar 800 km para ir a capital em busca de saúde, é o estado que precisa garantir essa estrutura próximo da população
Precisa incentivar a formação de profissionais locais, em especialistas, ginecologistas, pediatras, nefrologistas, cardiologistas e geriatras, dentre as principais especialidades a disponibilizar para atendimento à população.
Quanto a estrutura, logística e EPIs. Qual a realidade dos profissionais de enfermagem na área da Saúde?
Elton: Há uma má distribuição dos profissionais, em especial nos municípios mais distantes e que possuem menor estrutura, para algumas profissões como enfermagem, técnicos de radiologia, fisioterapeutas e psicólogos a remuneração é baixa e pouco atrativa, já para as especialidades médicas há super salários, tem casos em que um médico ganha 27 mil para ficar 10 dias num município, e trabalha os outros 20 dias em mais dois municípios diferentes.
Muitos hospitais não possuem equipamentos para uso na assistência, visitei unidades que sequer tinham glicosímetro (o paciente diabético é que tinha que comprar o seu próprio para ser utilizado durante a consulta), mamógrafo, tomógrafo, ressonância e hemodinâmica são artigos de luxo para o Amazonense na rede pública de saúde, a ausência da disponibilidade desses equipamentos atraso o diagnóstico e a eficiência no tratamento.
O profissional de saúde na Pandemia, passou por vários traumas, falta de insumos, superlotação, sobrecarga de trabalho, stress, adoecimento e não houve melhoria Salarial, somado a isso, muitos profissionais adoeceram física e mentalmente (saúde mental), síndrome do Pânico, ansiedade e depressão foram as doenças mais comuns entre os profissionais de saúde.
O que é o PL 2564/2020?
Elton: É o projeto de lei que estabelece o Piso Salarial dos profissionais de enfermagem (Enfermeiros graduados, obstetrizes, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras), de autoria do senador Fabiano Contarato (PT/ES), inicialmente previa os seguintes valores:
- Enfermeiro Graduado: R$ 7.315,00;
- Técnicos de enfermagem: R$ 5.120,00 (70%);
- Auxiliares e parteiras: R$ 3.657,00 (50%), além de jornada de trabalho de 30 horas semanais.
Como está a tramitação do PL?
Elton: O PL 2564/2020 foi aprovado no fim do ano passado por votação simbólica no senado federal, porém sofreu alterações passando a ficar os seguintes valores:
- Enfermeiro Graduado: R$ 4.750,00;
- Técnicos de enfermagem: R$ 3.325,00 (70%);
- Auxiliares e parteiras: R$ 2.375,00 (50%), além dos senadores reduzirem o valor inicial, também retiraram do projeto a jornada de 30 horas semanais.
Nas últimas semanas conseguimos aprovar o REQUERIMENTO de urgência na Câmara dos deputados. A previsão é que nós próximos 30 dias possa ser colocado em votação. Certo é que faremos uma grande caravana para ir a Brasília acompanhar essa votação e também estaremos mobilizados aqui no estado com todos os colegas.
Sabemos que 2022 é um ano eleitoral. Houve algum convite ou da sua parte alguma pretensão política?
Elton: Por estar à frente dessa luta da Enfermagem é natural que nosso nome seja cogitado pela categoria para que possamos disputar as eleições, fico agradecido pelo apoio e pela lembrança, acho muito possível, uma vez que é necessário renovar com qualidade a política e a saúde precisa ter representantes de fato que estejam em sintonia com os princípios do SUS e dos profissionais.
Nosso nome foi apontado também por setores da educação, da assistência social, da produção Rural, além da saúde para que pudéssemos disputar uma vaga na ALEAM. Estamos ouvindo as lideranças, avaliando, esperando as definições partidárias e também não podemos perder o tema em foco que é a aprovação do nosso piso Salarial. Se for para a Saúde e a enfermagem avançar, estou à disposição para essa disputa eleitoral.
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