quinta, 23 de abril de 2026
14/10/2023   08:00h - Entrevistas

ON Jornal entrevista o Dr. Washington Júnior, que alerta sobre aumento de casos de câncer no Amazonas

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). No Amazonas, a estimativa é de que até 2025 ocorram cerca de 15 mil novos casos da doença.

 

Para conscientizar e alertar a população sobre a importância da prevenção e detecção precoce do câncer de mama, foi criado o movimento Outubro Rosa. Durante todo o mês de outubro, a Clínica Oncológica do Brasil realiza atividades e eventos para conscientizar a população sobre o câncer de mama. Essas ações incluem palestras informativas, campanhas de conscientização e distribuição de materiais educativos.

 

Para entender melhor as dúvidas frequentes que norteiam o debate sobre a doença, o ON Jornal conversou com exclusividade, com o Dr. Washington Júnior, Médico de Emergências Clínicas de Dor e Cuidados Paliativos da Clínica Oncológica do Brasil, de Manaus. Confira!

 

ON Jornal- Qual a história e o objetivo do outubro rosa e qual a importância da conscientização?

 

Dr. Washington Júnior -  Bom, o Outubro Rosa é um movimento criado nos anos de 1990, nos EUA, numa instituição chamada Susan G. Komen for the Cure. O objetivo é chamar a atenção para a necessidade do diagnóstico precoce da doença, que pode aumentar as chances de cura.

 

Ela é regulamentada no Brasil desde 2018, através da lei 13.733, que promove a conscientização através de iluminação de prédios públicos, entrevistas, palestras, divulgação pela grande mídia. Mas desde 2010, que o INCA, que é o Instituto Nacional de Cancerologia, já adota este movimento através de palestras, de reuniões técnicas com os profissionais de saúde. O objetivo é justamente o compartilhamento de informações e a promoção da conscientização sobre o câncer de mama, visando um diagnóstico precoce.

 

ON Jornal- Qual sua prevalência mundial, nacional e no estado desse câncer?

 

Dr. Washington Júnior -  O câncer de mama é o mais prevalente no mundo entre as mulheres, é o segundo câncer mais prevalente no mundo, independente de sexo e idade, e é o câncer mais prevalente em mulheres no Brasil.

 

Há uma estimativa de que até o ano de 2025, respeitando essa prevalência mundial e nacional, aqui no Amazonas sejam diagnosticados até 15 mil novos casos. Isso é uma estatística bem importante e deve ser levada em consideração.

 

ON Jornal-  Quais os sintomas que as mulheres devem ficar atentas e quando buscar o médico?

 

Dr. Washington Júnior -  Os sintomas que a mulher pode sentir e deve ficar atenta, em até 90% dos casos, podem aparecer caroço ou caroços em uma ou ambas as mamas; podem ocorrer assimetria das mamas, uma mama maior que a outra; com pouco tempo de evolução, pode acontecer mudanças da arquitetura estrutural da mama, drenagem espontânea ou provocada de secreções pelo mamilo, cicatrizes, abalamentos; retrações nas mamas em uma ou ambas e mudança do aspecto da pele, se tornando uma pele um pouco mais avermelhada, grossa, semelhante a uma casca de laranja.

 

Além disso, a mulher pode perceber caroços ou caroços nas axilas e na região cervical no pescoço.

 

ON Jornal-  Quais os exames de rastreio do câncer de mama e a partir de qual idade as mulheres devem iniciar consultas periódicas e realização dos exames? Há alguma particularidade?

 

Dr. Washington Júnior -  Os exames de rastreio do câncer de mama e a periodicidade. O Ministério da Saúde orienta exames clínicos, periódicos e o autoexame a partir dos 40 anos de idade, porém as mamografias são indicadas apenas para mulheres a partir de 50 anos de idade com intervalo máximo a cada 2 anos, isso pelo Ministério da Saúde. Quando há algum fator de risco, essa é uma particularidade, por exemplo, mulheres que têm histórico familiar positivo para câncer de mama, por exemplo, a mãe teve câncer de mama e parente de primeiro grau, deve-se iniciar essa investigação diagnóstica com mamografias a partir dos 35 anos de idade.

 

De uma maneira geral, algumas sociedades, por exemplo, a de mastologia, elas indicam tanto os exames clínicos, periódicos, o autoexame e mamografias, ultrassonografias também podem ser exames de rastreio, a partir dos 40 anos, diferente do Ministério da Saúde que é a partir dos 50.

 

ON Jornal-  Existem fatores de risco para o câncer de mama? Se sim, quais?

 

Dr. Washington Júnior -  Existem, sim, fatores de risco para o câncer de mama. Alguns fatores imutáveis, como, por exemplo, o fator genético, hereditário, familiar. Sabe-se de que mulheres que têm parentes de primeiro grau, mãe, irmãs ou até mesmo filhas, têm uma maior probabilidade de desenvolver câncer de mama. Bem como mulheres acima dos 50, essa incidência aumenta também a partir dos 50 anos. Alguns fatores ginecológicos, por exemplo, mulheres que tiveram sua primeira menstruação, a menarca, antes dos 12 anos ou a menopausa, a última menstruação, a partir dos 55 anos também tem maior fator de risco. Mulheres que ainda não tiveram filho, mulheres que pariram depois dos 30 anos, mulheres que fizeram uso prolongado de contraceptivo oral ou de reposição hormonal após a menopausa. Alguns fatores ambientais, digamos assim, por exemplo, o sedentarismo, principalmente após a menopausa, o cultivo de malos hábitos de vida, por exemplo.

 

ON Jornal-  Como o auto-exame previne o câncer de mama? Quais são as medidas preventivas?

 

Dr. Washington Júnior -  O autoexame não previne o câncer de mama, essa é uma narrativa que precisa ser descontinuada. O autoexame serve para que a mulher conheça seu próprio corpo, porque se ela não conhece o seu corpo, ela não vai saber identificar quando alguma coisa está errada. Então o autoexame é para que a mulher tenha o autoconhecimento. E as medidas preventivas, elas focam na diminuição dos fatores de risco modificáveis.

 

Por exemplo, cessar o tabagismo, diminuir consideravelmente o alcoolismo, praticar atividades físicas regulares, manter uma dieta regular também e manter o segmento médico periódico, para que o médico saiba identificar outros fatores de risco ou sinais e sintomas que iniciem uma investigação diagnóstica, sabendo que o diagnóstico precoce traduz a cura em mais de 95%.

 

ON Jornal- Como é feito o diagnóstico do câncer de mama e quais as possibilidades de tratamento?

 

Dr. Washington Júnior -  O diagnóstico do câncer de mama é feito através de biópsia, e essa biópsia é indicada através dos exames de imagem de rastreio, sendo eles, por exemplo, ultrassonografia, mamografia ou reacionação magnética das mamas, que é individualizada para cada paciente. Os tratamentos têm particularidade, depende do estágio em que a mulher se encontra atualmente do câncer. Existem quatro estágios, então o tratamento é individualizado de acordo com a mulher, o subtipo do câncer e o estágio que ela se encontra atualmente.

 

Existem três tipos de tratamento medicamentosos disponíveis atualmente, que são as quimioterapias, as hormonioterapias e as imunoterapias, além, claro, do tratamento cirúrgico e radioterápico.

 

ON Jornal-  Pra quem quiser saber sobre o assunto ou procurar o Hospital Oncológica do Brasil, onde buscar atendimento?

 

Dr. Washington Júnior – A clínica é a única instituição privada na região Norte que promove a pesquisa e ensino na área da oncologia. Os tratamentos de quimioterapia, radioterapia, tratamento biológico e imunoterapia são realizados por uma equipe altamente capacitada de profissionais especialistas na área de atuação.

 

A Oncológica do Brasil também é referência no tratamento de doenças hematológicas e conta com o Centro Avançado de Oncohematologia da Oncológica do Brasil, onde reúne os melhores médicos hematologistas da região Norte.

 

Os contatos de atendimento e marcar consultas podem ser feitos por meio dos telefones (92) 3212-2174 e (92) 9 9164-3655. Para atendimento, a Oncológica fica localizada na Av. Álvaro Maia, n° 1444, Praça 14 de janeiro - Manaus /AM. 

 

 

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