A 2ª edição do Grande Encontro Estadual do Extrativismo da Borracha, em Manaus, reunindo mais de 80 seringueiros de diversas regiões da Amazônia. O evento se estendeu até quarta-feira, dia 29 de fevereiro, com o propósito de impulsionar a retomada da produção sustentável da borracha nativa da Amazônia.
O evento teve o principal objetivo de revisar as demandas da categoria estabelecidas no ano anterior, buscando soluções para os desafios enfrentados pelos seringueiros e apresentando os resultados da safra de 2023, juntamente com as perspectivas para 2024.
O encontro teve a iniciativa do Memorial Chico Mendes e Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e, com o apoio de parceiros, que estão implementando, desde 2016, o projeto de revitalização da cadeia produtiva de borracha nativa do Amazonas.
Para entender melhor como funciona o trabalho da associação dos trabalhadores agroextrativista, o ON Jornal conversou, com exclusividade, com o presidente da Associação dos trabalhadores agroextrativista do município de Pauní, que explicou a importância do trabalho da associação voltada para os seringueiros. Confira.
ON JORNAL: Qual é a expectativa para a melhoria do trabalho dos extrativistas?
José Roberte: A expectativa é que a gente consiga que essa cadeia se mantenha, que ela obtenha sempre preço justo e que seja dado as condições necessárias para que os extrativistas possam desenvolver essa atividade com excelência, como a disponibilização de quente sangria, financiamento e que esse produto seja colocado como produto estratégico para tudo que está acontecendo hoje na Amazônia e no Brasil e no mundo que é a questão das mudanças climáticas.
Nós sabemos que precisamos manter a floresta viva e esse produto, da forma com que é feito, a coleta do nosso látex em floresta nativa, ele se torna um produto estratégico nesse combate ao aquecimento global e às mudanças climáticas, sobretudo a preservação do meio ambiente.
ON JORNAL: Qual seria o objetivo principal desse grande encontro para os extrativistas da borracha?
José Roberte: O objetivo principal para nós, extrativistas, nesse grande encontro, é a gente poder ver, junto com os outros municípios, o que a gente avançou com relação a essa cadeia produtiva e celebrar esses avanços. Porém, a gente traz uma série de demandas daquilo que a gente ainda entende que é necessário para fortalecer cada vez mais essa cadeia produtiva.
E com isso, a gente destina uma carta aos órgãos públicos para que eles possam estar atendendo essas demandas, fortalecendo cada vez mais essa cadeia. Então, a gente celebra os resultados que foram obtidos no ano de 2023, mas junto a gente constrói uma proposta com reivindicações, junto ao Governo Estadual Municipal e Federal, para que a gente possa melhorar ainda mais em 2024.
ON JORNAL: O projeto ‘Juntos pelo Extrativismo da Borracha Amazônica’ beneficia quem?
José Roberte: O projeto Juntos pelo Extrativismo da Borracha é uma iniciativa de organizações não governamentais do terceiro setor, junto com as associações e cooperativas, e a gente busca reestruturar essa cadeia produtiva para que o benefício maior consiga chegar até o extrativista, que é um preço justo. E juntos a gente tenta sensibilizar os governos da importância dessa cadeia produtiva.
Então o grande beneficiário dentro desse projeto são os extrativistas, são aqueles que estão lá na ponta, aqueles que merecem mais a nossa atenção. Porque uma dinâmica que a gente fez foi tentar entender por que uma cadeia produtiva que está no nosso dia-a-dia, a borracha está em uma série de produtos do nosso dia-a-dia, por que ela não se sustentava nos outros dois ciclos, que a gente pode dizer assim.
ON JORNAL: Quais os cinco municípios do Amazonas onde as atividades da borracha são realizadas?
José Roberte: O projeto já beneficiou várias famílias dos municípios de Canutama, Pauini, Manicoré, Eirunepé e Itacoatiara
ON JORNAL: Qual seria a solução sustentável para os seringueiros daqui para frente?
José Roberte: Na nossa visão, a solução sustentável para o seringueiro daqui para frente, não só para a questão da borracha, mas seria que os governos tivessem um olhar voltado a fortalecer as cadeias da sócio biodiversidade. Então, o que acontece? A gente precisa valorizar esse trabalho porque a gente entende que é um trabalho de conservação.
Quem trabalha na seringa, quem trabalha na juta, quem trabalha na malva, esses trabalhos que estão feitos artesanalmente, respeitando o meio ambiente. Então, uma das coisas que a gente poderia avançar muito na questão sustentável era dando o valor que essas cadeias produtivas merecem e valorizando esse trabalho.
E aí volto a dizer, uma coisa que eu já falei, “que se pudesse ser visto não só o produto borracha, que vira pneu, que vira luva cirúrgica, que vira a borracha da panela de pressão, que vira o preservativo, mas tudo o que ele representa nos territórios, historicamente, que é a questão cultural, que é a questão econômica, que é a questão ambiental, a interação do homem com a natureza”.
ON JORNAL: Como é o apoio do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Memorial Chico Mendes para os seringueoiros?
Jose Roberte: O Conselho Nacional das Populações Extrativistas é a nossa instância maior relacionada a essa cadeia, que tem seus diretores na Nacional, que atuam na Agenda Nacional junto aos Ministérios, e tem as suas coordenações regionais que atuam nos Estados.
Então, essa é o nosso maior órgão, a gente pode dizer, a nossa maior instância, é o CNS, e que sempre está nos apoiando na ponta, não só na questão da cadeia produtiva, mas em busca do direito pelo território, uma série de políticas que muitas vezes não conseguem chegar.
O nosso articulador maior é o CNS, que busca nos representar a nível nacional. Memorial Chico Mendes está tocando e gerindo o projeto na questão da borracha, nos ajudando na articulação, na busca por firmar o próprio comprador, que é a Michelin.
ON Jornal – Para quem deseja obter mais informações sobre o projeto, onde buscar?
Jose Roberte:
https://www.instagram.com/neguinho_ze.roberto?igsh=MWw4aXp0N2FnOG12bw
Email: atramp.pauini@gmail.com
Fone: (97) 98446-5706
Por: Andreia Fernandes
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