quinta, 23 de abril de 2026
04/02/2023   08:01h - Entrevistas

ON Jornal entrevista ex-deputado Dermilson Chagas que apresenta resultados do mandato na Aleam

 Deputado do Amazonas com grande trajetória na política, Dermilson Chagas (Republicanos), não conseguiu se reeleger nas eleições 2022. Com 31.625 votos, Chagas foi o terceiro mais votado em 2018. No último pleito, conseguiu 20.532 votos e está como suplente. Com o resultado, o parlamentar não se abalou e divulgou um balanço sobre suas atividades e resultados.


Segundo dados divulgados por ele, o parlamentar apresentou mais de 400 proposituras, além de direcionar mais de R$ 35 milhões em emendas para auxiliar no desenvolvimento da Educação, Segurança, Saúde, Pesca, dentre outras áreas prioritárias.


Em entrevista exclusiva ao ON Jornal, o ex-deputado conta sobre o seu legado e apesar de não ter sido eleito, ele diz que seu trabalho continua, inclusive com as denúncias. Confirma.


ON Jornal- Quais projetos criados pelo deputado se tornaram realidade para os amazonenses?


Dermilson Chagas- Meus projetos de lei foram criados de forma propositiva, sempre tendo o cuidado de contribuir para melhorar a qualidade de vida do povo amazonense. Algumas de suas proposituras se tornaram importantes leis, que já vêm mudando para melhor a vida de muitas pessoas. Uma delas é a Lei nº 4.798/19, a qual permite o parcelamento de créditos tributários vencidos referentes ao Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) no Estado do Amazonas.


Outra proposta que já trouxe benefícios à vida da população amazonense foi a Lei Ordinária nº 5.793/22, que impõe a obrigatoriedade da apresentação da relação de nomes de sócios para as empresas que firmarem contratos com a Administração Pública. O intuito da lei é dar transparência aos contratos e evitar possíveis casos de corrupção envolvendo recursos públicos.


ON Jornal- Qual projeto apresentado que você lamenta ao não ser aprovado?


Dermilson Chagas- Desde o início da minha carreira, passando pelo cargo de superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego do Amazonas e agora como deputado estadual, sempre prezei pela transparência. Tratar com o dinheiro público é coisa séria. Por isso, propus essa lei, que obriga o Estado a solicitar os nomes de todos os sócios da empresa que ela contratar. Criei outros projetos de lei, cujo teor é o combate a atos que possam levar a casos de corrupção, mas, infelizmente, não foram aprovados.

Entre as proposituras que foram rejeitadas destacam-se o projeto de lei nº 59/2022, que tinha por objetivo fazer com que o Estado divulgasse de forma clara e precisa para o cidadão Amazonense a situação das estradas que estão sob a responsabilidade do Governo do Estado, estipulando um prazo de seis meses de vistoria, para que as intervenções fossem realizadas e para que as manutenções não custassem caro para o Estado.

ON Jornal- Sobre a destinação de recursos públicos, qual balanço você faz da sua administração?

Dermilson Chagas-  Aa prova do meu mandato propositivo é a destinação de recursos através de emendas parlamentares. De 2019 a 2022, foram destinados R$ 35.170.378,51 (trinta e cinco milhões, cento e setenta mil, trezentos e setenta e oito reais e cinquenta e um centavos), sendo que 46% dessas emendas, um total de R$ 15.332.850,00 (quinze milhões, trezentos e trinta e dois mil, oitocentos e cinquenta reais), foi destinado para a melhoria na saúde pública do Amazonas. Devido à crise sanitária, destinei R$ 5 milhões em 2020 para ações de combate à Covid-19.

Somente em 2022, na Saúde, direcionei um total de 14 emendas parlamentares que juntas chegam a R$ 5.279.850,00 (cinco milhões, duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e cinquenta reais). Ao todo, 12 municípios receberam valores que variam de R$ 100 mil a R$ 1,4 milhão, que serão administrados pelas secretarias municipais de saúde.

ON Jornal- Sendo uma pessoa pública, como foi a construção do trabalho próximo do eleitorado?

Dermilson Chagas- Nós, como parlamentares, temos a obrigação de ouvir as demandas dos nossos irmãos do interior, que, muitas vezes, são relegados a segundo plano quando se refere à alocação de recursos da Saúde, Educação e Segurança Pública. Geralmente, a capital recebe, tanto do governo estadual quanto do federal, mais atenção e, por isso, acaba recebendo mais recursos, mais programas e mais benefícios. Por isso, eu procuro sempre ouvir a própria população dos municípios durante as minhas viagens pelo interior do Amazonas. Eu também recebo informações pelos meus canais oficiais de comunicação com o público, que são as minhas redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp, Twitter). Como deputado estadual é meu dever observar esses gargalos não alcançados pelo poder público e ajudar do jeito que eu posso, que é com destinação de emendas parlamentares.

ON Jornal- Você foi um dos principais nomes de oposição ao governo do estado. Como você analisa sua atuação nesse quesito?

Dermilson Chagas -Ao longo do meu mandato, não fechei os olhos para os escândalos do Governo do Amazonas. Fui o primeiro deputado a subir à tribuna e denunciar a compra pelo Governo do Amazonas de 28 ventiladores pulmonares, aparelho inadequado para tratamento da Covid-19, comprados em uma loja de vinho por um valor 316% mais caro. Por essa denúncia, o governador passou a ser réu em processo que está em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Também denunciei os atrasos e as falhas técnicas nas obras de revitalização da AM-010, que fez com que o Tribunal de Contas da União (TCU) exigisse a realização imediata da recuperação da via. Em relação à AM-010, também denuncei que havia indícios de fraude, com favorecimento de empresas, na concorrência pública que selecionou as empresas que ficariam responsáveis pela obra.

ON Jornal- Diante disso, como seu trabalho frente a questão da saúde do estado?

Dermilson Chagas- Ao longo de quatro anos, foram diversas as denúncias na Aleam sobre o descaso em unidades hospitalares com altas demandas, como o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo e o João Lúcio. Para mim, é injustificável que o Governo do Amazonas, que tem a obrigação de administrar os recursos do Estado e, portanto, disponibilizar bons serviços à população, faça justamente o contrário, ou seja, tenha uma gestão cheia de falhas e ainda contribua, por meio desses erros de administração, para que pessoas venham a falecer.

Não houve planejamento nas ações e a maior prova disso foi a não estruturação da rede estadual de saúde tanto na primeira quanto na segunda onda. Uma das provas dessa falta de organização e planejamento foram as mortes registradas em praticamente todas as unidades de saúde estaduais, especialmente no SPA e Policlínica Dr. José Lins, SPA e Policlínica Dr. Danilo Corrêa, SPA Alvorada e na Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD). Outro problema foi a falta de leitos desde o início da pandemia, tanto na capital quanto no interior. 

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