Nesta semana, foi celebrado o Dia Mundial da Água, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O objetivo da data é promover conscientização sobre a relevância da água para a nossa sobrevivência e de outros seres vivos. Além disso, é um momento para lembrar a importância do uso sustentável desse recurso e a urgente necessidade de conservação dos ambientes aquáticos, evitando poluição e contaminação.
Para saber como anda a qualidade dos rios na nossa região que concentra a maior bacia de água doce do mundo, ON Jornal conheceu as instalações do PROGRAMA DE MONITORAMENTO DE ÁGUA, AR E SOLOS, que surgiu dentro do grupo de pesquisa "Química Aplicada á Tecnologia" da Universidade do Estado do Amazonas – UEA.
O programa conta com 12 projetos de Monitoramento Ambiental e Infraestrutura e quando estiver em pleno funcionamento promete ser o maior programa de monitoramento ambiental do planeta. Confira.
ON Jornal- Como iniciou esse trabalho do monitoramento ambiental de Manaus?
Dr. Sergio- Nós trabalhamos nisso há 10 anos aqui na universidade. No início, eram pequenos trabalho para dar aos alunos a iniciação cientifica e depois os projetos foi aumentando de envergadura.
Hoje em dia, o grupo de pesquisa é referência no estado com relação ao monitoramento ambiental. Fazemos o monitoramento do Tarumã Mirim, do Tarumã-Açu, da Bacia do São Raimundo, Educando e Puraquequara.
ON Jornal- Quais rios de Manaus são os mais impactados com a poluição, segundo o monitoramento?
Dr. Sergio- Nas cinco principais microbacias da região, as duas mais impactadas são a Bacia do São Raimundo e do Educandos, próximo ao Polo Industrial de Manaus.
O principal problema delas é grande quantidade de coliformes fecais, do esgoto doméstico, que os rios concentram. Existem outros problemas pontuais também, mas o mais agravante é a grande presença de coliformes nos rios. Já as bacias do Tarumã Mirim e do Puraquequara, são até sadias.
Esse diagnóstico é importante por que com ele podemos trabalhar em planos para tentar sanar esses problemas dos rios na capital. O trabalho que realizamos é de extrema relevância para o estado.
ON Jornal- Após obter esse diagnóstico sobre a qualidade dos rios, como o grupo direciona as informações das análises?
Dr. Sergio- O papel do grupo hoje, de monitoramento ambiental, é produzir dados para o gestor público ver o real problema que essas bacias têm.
Algo que sempre digo é que, não adianta ter a boa vontade de querer resolver o problema de uma bacia degradada, você precisa saber realmente o que está acontecendo com a bacia, quais parâmetros estão normais ou fora do normal. E é isso que nós colocamos para o gestor público, uma fermenta enorme à sua disposição para ajudar a construir planos para solucionar problemas ambientais.
ON Jornal- Como foi o processo de criação à execução do programa?
Dr. Sergio- O programa surgiu durante a pandemia, na UEA. A universidade estava sem aulas e nós utilizamos o tempo para produzir esse trabalho. Nós tínhamos vários projetos na cabeça e conseguimos escrever o programa no papel, e após isso, pronto, nós nos questionamos “E agora? Como vamos tirar do papel?”.
Ai, eu, como líder do programa coloquei à disposição da Casa Civil do Estado, para ver o eles acham. Para nossa surpresa, após duas semanas, os órgãos do governo ligados ao monitoramento ambiental nos contataram e disseram que o nosso programa era essencial para o monitoramento ambiental do estado. Então o Governo do Estado aprovou, e depois apresentamos o trabalho à Assembleia Legislativas.
ON Jornal- Na ALEAM, como foi a recepção dos deputados para com o programa?
Dr. Sergio- Bom, após apresentar para eles, o deputado Angelus Figueira deu um indicativo para criar uma agencia amazonense de águas para tocar o nosso programa. Para minha surpresa também, foi aprovado já por unanimidade pelos deputados estaduais, na legislatura anterior. No dia, 04/04, eu terei uma nova oportunidade de apresentar o programa que vai funcionar através da Agência Amazonense de Águas.
Após isso, se virar lei, será criada a agência, que vai, de fato, fazer tudo acontecer. A nossa estrutura está preparada, alunos, professor e técnicos já estão aqui apostos para integrar à agência. Nós temos um navio incrível que nos ajudará demais nesse trabalho.
ON Jornal- Como serão as atividades do programa após entrar verdadeiramente em prática?
Dr. Sergio- Nós iremos começar pela estrutura predial que nos dará total suporte. Precisaremos de mais um navio de monitoramento. Trabalharemos no Rio Madeira para saber os níveis de mercúrio que o rio tem, depois, Rio Negro, Solimões, parte do Rio Amazonas e etc.
Também vamos monitorar os rios transfronteiriços. Precisamos conhecer a qualidade desses rios, para saber, possivelmente se o pais vizinho está sendo negligente com seus rios que depois correm para cá.
São 12 projetos, tentaremos colocar todos em pratica e em plena atividade para saúde das águas da região.
ON Jornal- Quais são as dicas de boas práticas de preservação da agua que podemos realizar no cotidiano?
Dr. Sergio- Bom, todo mundo lava louça em casa. Algumas colocam dez gotas de detergente para lavar, eu indico colocar cinco gotas, por que essa quantidade também vai lavar a louça e vai ajudar os rios com menos composições de detergente.
Além disso, tem a questão do óleo de cozinha, que é bastante utilizado e jogado pelo ralo da pia. Essa pratica também acaba prejudicando os rios, por que ele fica na superfície. O que acontece, é que o óleo forma uma película encima da água e impede a troca de gases que tem entre a atmosfera e a água, que por sua vez, prejudicam a fauna dos rios. O correto seria descarta-lo separadamente.
ON Jornal- Para quem deseja saber mais informações sobre os detalhes do programa?
Dr. Sergio- Ah, quem quiser saber mais, nós temos o site: www.gp-qat.com. Lá tem informações sobre os nossos projetos, dados de pesquisa e o mapa interativo onde qualquer pessoa pode ver a situação do rio próximo de sua casa, e vários outras informações. A Ciência Aberta, que é a pela transparência dos dados para todos, está disponível em nosso programa. Esse é um grande diferencial que nós temos.
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