As temperaturas da água ao redor da Grande Barreira de Corais da Austrália, atingiram níveis recordes na última década, os mais quentes em 400 anos, colocando o maior recife do mundo sob séria ameaça. De acordo com uma pesquisa publicada ontem (7), cientistas australianos analisaram núcleos de coral para medir as temperaturas do oceano desde 1618, revelando um aumento significativo nas temperaturas a partir de 1900, impulsionado pela atividade humana.
Desde 1960, a temperatura média anual das águas aumentou 0,12°C por década, culminando em cinco verões de branqueamento em massa de corais desde 2016. Esses eventos, causados pelo estresse térmico, resultaram na descoloração e morte de grandes porções do recife, com o último ponto de dados de temperatura, de janeiro a março deste ano, sendo o mais alto já registrado. Benjamin Henley, da Universidade de Melbourne, descreveu a situação como uma tragédia, destacando a perda iminente de um dos maiores ícones naturais do mundo.
O branqueamento de corais não se limita à Austrália. A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), relatou que pelo menos 54 países e regiões sofreram branqueamento em massa desde fevereiro de 2023, incluindo o Brasil, onde as águas quentes ameaçam os recifes da maior reserva marinha do país. Embora a Grande Barreira de Corais ainda não esteja na lista de patrimônios mundiais em perigo da Unesco, a ONU recomenda sua inclusão devido às crescentes ameaças.
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