Um estudo de pesquisadores da Universidade de Londres publicado na Earth and Planetary Science Letters indica que Vênus pode ter tido até 90% de sua superfície coberta por água líquida em um passado geológico recente. Os dados obtidos por radar apontam que o volume total do oceano venusiano equivalia a cerca de 40% dos mares da Terra, com profundidade média de 1,4 quilômetro. A hipótese desafia a visão tradicional do planeta como um ambiente estritamente vulcânico e árido desde a sua formação.
A análise apoia-se em três principais evidências geológicas no solo venusiano: redes de terrenos poligonais semelhantes à desidratação de argilas marinhas, extensos canais compatíveis com correntes submarinas e cristas rugosas formadas sobre espessas camadas de sal. Essa última estrutura assemelha-se aos depósitos deixados na Terra durante o período em que o Mar Mediterrâneo secou, sugerindo um processo gradativo de evaporação provocada pelo aquecimento do planeta.
Embora o conjunto de marcas fortaleça a teoria marinha, os autores destacam que explicações vulcânicas ou tectônicas isoladas ainda não estão descartadas. A confirmação sobre o passado aquático de Vênus dependerá dos dados coletados por futuras missões espaciais, como a EnVision, da Agência Espacial Europeia, e a Veritas, da NASA, equipadas com radares de alta resolução para mapear a superfície venusiana.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.