Monday, 08 de June de 2026
12/11/2021   11:30h - Educação

OCDE indica que meninas leem mais

As meninas brasileiras e da maior parte dos países do mundo, de todas as idades, leem mais que os meninos. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No estudo Education at Glance, que analisa os resultados de leitura do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2018, ficaram claras as diferenças no desempenho de meninos e meninas. O exame é aplicado em jovens de 15 anos dos 38 países-membros da OCDE e também no Brasil, Argentina, Índia, China, Arábia Saudita, Rússia, Indonésia e África do Sul.
 
Outro estudo, publicado em 2019 na Proceedings of National Academy of Sciences of the United States (PNAS), indicou que essa grande disparidade de desempenho em leitura pode, inclusive, afastar as meninas das carreiras na área de exatas. “A forma como o estímulo à leitura é realizada contribui para que essa diferença continue existindo”, opina o gestor do Ensino Médio do Colégio Positivo, Heverton Ruan Peter de Jesus Ragazzi. No entanto, adotar determinadas estratégias pedagógicas pode ajudar a estimular desde cedo o interesse pela atividade em meninos, segundo o especialista. “No contexto atual, devemos repensar o conceito de leitura. Consideramos atualmente apenas o modelo formal de concluir livros, mas exercitamos a leitura também em outros formatos, como tutoriais de jogos, por exemplo”, afirma.
 
Para a gestora do Ensino Fundamental do Colégio Positivo - Joinville, Joana Melim Borges Grobler, há um fundo cultural envolvido nesse problema. “No Brasil, historicamente, os homens são influenciados a se dedicar à área de exatas e as mulheres à área de humanas. Homens deveriam estudar para ser engenheiros ou arquitetos, não sendo necessário apresentar interesse pela leitura, mas pelos cálculos”, explica. As mulheres, por sua vez, tinham boas chances de seguir carreira no magistério quando se dedicavam às letras. A gestora da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Colégio Positivo - Master, Francine Silva, concorda. “Isso tem a ver com o fato sócio-histórico-cultural de acreditar que as meninas são mais capazes de fazer doações psicológicas, o que é uma visão equivocada. Esse ponto de vista formou-se devido ao longo período em que os homens foram protagonistas de seus lares”, explica. Hoje em dia, entretanto, esse viés é anacrônico, dadas as profundas mudanças nos papéis de homens e mulheres na sociedade contemporânea. Para acompanhar essas mudanças, defendem as especialistas, é preciso iniciar práticas pedagógicas ainda na Educação Infantil.
 

Além da questão sociocultural, há ainda o apelo dos recursos tecnológicos que estão à disposição com apenas um toque. A gestora dos Anos Finais e Ensino Médio do Colégio Passo Certo, de Cascavel (PR), Elaine Fernandes Fagundes, lembra que os jogos virtuais, a internet e os streamings são concorrentes muito atraentes das páginas dos livros, uma tentação ainda mais significativa para os meninos. “Essas atividades acabam sendo mais dinâmicas e divertidas para a grande maioria. Em uma sala de aula, observa-se que, em média, apenas 20% dos meninos leem com frequência. Os demais, em se tratando de uma leitura obrigatória indicada pela instituição educacional, valem-se apenas da análise rápida de um prefácio ou, simplesmente, nem folheiam o livro”, conta. 

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