Principal aposta da terceira gestão de Eduardo Paes (PSD) para a zona oeste do Rio de Janeiro, o anel viário de Campo Grande está no centro de um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM) que aponta atrasos, indícios de superfaturamento e falhas na execução da obra. Segundo o TCM, auditoria recente identificou pagamentos acima do devido, com prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos.
Grande parte do projeto está nas mãos da OEC, antiga Odebrecht, que venceu sozinha duas licitações no valor total de R$ 597 milhões. Os contratos, inicialmente com término previsto para março, foram prorrogados para dezembro, com a prefeitura alegando entraves como desapropriações e problemas financeiros da empreiteira — atualmente em recuperação judicial. Em um dos trechos da obra, o relatório indica que a escavação foi classificada como feita em rocha (mais cara), quando na verdade o terreno era de argila e areia, bem mais simples e barato.
A gestão municipal afirma que está em diálogo com o TCM e que valores indevidos serão ressarcidos via glosas. No entanto, o tribunal questiona ainda o volume de entulho retirado, que superaria a capacidade dos caminhões usados, e aponta pagamento em duplicidade e falhas no edital da licitação. Mesmo assim, a prefeitura defende que os ajustes são comuns em grandes obras e que o objetivo é garantir a continuidade do projeto, que inclui túneis, rotatórias e um mergulhão já entregue.
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