quinta, 23 de abril de 2026
09/03/2024   08:00h - Entrevistas

O Xamã BU"U KENNEDY líder dos Pajés, fala ao ONJornal sobre a cura pela Ayahuasca e energia do corpo

Nascido na região de São Gabriel da Cachoeira (AM), Bu'ú Kennedy é nativo descendente dos yaí'wá (onças), também conhecido no mundo como Xamãs, é membro do Clã Üremirin Sararó - Fátria Patrilinear do povo Ye'pá mahsã da Amazônia, conhecidos na sociedade como Tukanos.

 

O nome Bu'ú significa 'tucunaré', um peixe encantado dos rios amazônicos, nome dado ao filho homem. Baya Uhkurin Mahsün (mestre de cerimônia que canta e dança e comunica-se com os povos e que transita entre os dois mundos e são curandeiros).

 

O líder espiritual, ministra apresentações de cantos, danças, realiza atividades com Ayahuasca e rituais indígena do seu clã. A edição deste sábado do onjornal.com, traz uma conversa incrível com Bu’u, que fala sobre sua vida, trabalho e segredos poucos conhecidos sobre seu campo de atuação. Confira.

 

ON JORNAL – Como foi o início da caminhada até se tornar um líder espiritual?

 

BU’Ú – Início da caminhada, como já sou descendente do yaí’wá Onça, quando eu nasci na comunidade do povo Tuyuka, um velho curandeiro, uma vez, falou que era uma honra ver uma criança nascer descendo do sangue dos curandeiros Onça, ele ia fazer bastante benzimento, tipo batismo, e ele fez.

 

Então já ativou, assoprou no umbigo, chamado senhor Dionísio Yakakasero, traduzindo seria ‘Casca do Bodó’, e ele falou que eu andaria pelo mundo, mas retornaria também para poder sustentar a ancestralidade. Então, desde pequeno, meu pai levava na Colômbia, no Rio Pirá, já acompanhava entre 09, e últimos 12 anos, grandes rituais, grandes malocas. Então, dentro da minha comunidade, como eu nasci também, já acompanhei os cantos, danças, benzimentos, as falas.

 

Mas quando fui para a cidade, com 14 para 15 anos, já tinha a dimensão dos conhecimentos. Esse foi um dos pontos também. Quando cheguei em São Paulo, Rio, em 2009, o uso da ayahuasca refletiu muito o meu retorno para as comunidades, quando comecei com as iniciações de Onça com o povo Barasana, Senhor Raimundo do povo Barasana, iniciação com Jurupari, entre outros, 4 anos de estudo de resguardo, e também depois fiz um pouco Kubewa, que é através do rapé e o benzimento, chamamos de Hion, também um processo já hoje estabilizado como líder espiritual.

 

ON JORNAL – Pajé, Xamã, Cacique e Tuxaua: qual a diferença entre os títulos e suas funções?

 

BU’Ú - Os Xamãs são os iniciados, nomes conhecidos no mundo, né? São curandeiros, instrutores, orientadores, que eles auxiliam na vida, seja psicologicamente, seja terapeuticamente, de forma tradicional, com ervas, com plantas, com benzimento ou defumações.

 

E sobre o cacique e tuxaua, na região do Amazonas Alto Rio Negro, a igreja criou esse sistema de cacique, capitão, e tuxaua, para poder enfraquecer o sistema dos curandeiros, que eles, acompanhando com o tempo, estrela, estações, orientavam e instruíam a época de preparo da roça, plantio, caça, pesca, e com rituais.

 

Os padres viram que o sistema era tão poderoso, começaram a quebrar. Aí, organizaram, criaram a escolha de cacique, tuxaua e pajé. Então, muitos capitães, tuxauas são escolhidos hoje, como se fosse a eleição. Apenas muitos são pelo interesse. E, assim, enfraqueceu muito a espiritualidade também, essa quebra, união entre série de coisas. Essa é a diferença.

 

ON JORNAL – Durante a sua apresentação e ministrações, quais são as atividades mais importantes?

 

BU’Ú - A atividade mais importante nossa é o respeito. Também colocamos a importância de preservação da energia do corpo antes e depois, são regras que vêm em princípios, e respeitar a integridade de cada um dentro da regra no circo que trabalhamos.

 

Para saber mais sobre o trabalho de Bu'ú Kennedy, o onjornal.com exibe, neste sábado (09/03), uma entrevista exclusiva entre ele e o apresentador, André Tapurukuara, no programa Cultura Indígena. 

 

                             

 

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