O número de mortes causadas por policiais militares em serviço em São Paulo aumentou 84,3% entre janeiro e novembro deste ano, passando de 313 para 577 vítimas fatais, em comparação com o mesmo período de 2023. Os dados foram divulgados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que monitora as intervenções policiais através do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp).
Claudio Silva, ouvidor da Polícia de São Paulo, aponta que o aumento nas mortes reflete um retrocesso na segurança pública, com discursos de autoridades que incentivam uma polícia mais letal e o enfraquecimento dos mecanismos de controle interno e externo. Ele destaca ainda a descaracterização da política de câmeras corporais, que antes ajudava a garantir maior transparência nas ações policiais.
Recentemente, o caso do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, morto com um tiro disparado por um policial durante uma abordagem na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, ilustra o cenário crescente de violência policial. Silva observa que, até 2022, a PM paulista estava avançando na profissionalização da corporação, com a adoção de tecnologias para garantir maior segurança jurídica e proteção à população, mas que esse progresso está sendo revertido.
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