A maioria dos processos de reciclagem funciona apenas com um único tipo de plástico, mas a maior parte dos resíduos plásticos são misturas complexas, que requerem processos difíceis e dispendiosos de separação o que impede ou limita a sua adoção em larga escala. Além disso, os processos de reciclagem química costumam gerar produtos de baixa qualidade, que não podem ser eles próprios reciclados, impedindo uma efetiva economia circular em relação aos plásticos.
Na tentativa de superar essas limitações, 22 pesquisadores liderados pelo engenheiro químico Gregg Beckham, do Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) dos EUA, propõem uma nova abordagem, composta por duas etapas. Inicialmente, um processo químico decompõe os resíduos plásticos mistos em compostos mais simples. Na segunda etapa, bactérias geneticamente modificadas convertem os compostos num único produto final, também reciclável, fechando o círculo da sustentabilidade.
O método se baseia em pesquisas anteriores que mostraram que uma mistura de diferentes tipos de plásticos podia ser decomposta e convertida numa série de produtos químicos úteis, oxidando-os com a ajuda de um catalisador. O problema era que os vários compostos químicos assim gerados precisavam ser isolados e purificados por meio de processos complexos, o que tornava a abordagem impraticável em larga escala.
O processo inovador descrito na Science produz oxegenatos (compostos que contêm oxigênio em sua estrutura molecular) mais solúveis na água do que os produtos da reciclagem química convencional.