quinta, 23 de abril de 2026
19/02/2026   16:00h - Ciência & Tecnologia

Novo concreto sustentável usa areia do deserto e pó de madeira

A areia é amplamente explorada pela construção civil, sendo extraída de rios, pedreiras e até do fundo do mar, o que causa erosão e desequilíbrios ambientais. Ao mesmo tempo, bilhões de toneladas de areia do deserto permanecem inutilizadas por não apresentarem características adequadas para o concreto tradicional. Para enfrentar esse paradoxo, pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology e da University of Tokyo desenvolveram um novo material chamado Botanical Sand Concrete, ou Sandcrete, que combina areia do deserto com pó de madeira para produzir blocos resistentes, voltados principalmente à pavimentação.

 

O principal obstáculo para o uso da areia do deserto está na granulometria: seus grãos são muito finos e arredondados pela ação do vento, o que compromete a aderência ao cimento e resulta em um concreto estruturalmente fraco, conforme estudo publicado no Journal of Building Engineering. Para contornar essa limitação, os pesquisadores substituíram o cimento convencional pela lignina, um polímero natural presente na madeira. Submetida a alta temperatura (180 °C) e pressão em prensa térmica, a lignina atua como um adesivo natural, unindo eficientemente os grãos de areia e formando blocos sólidos que atendem aos padrões japoneses para pavimentação urbana.

 

Além de reduzir a dependência da extração de areia de rios e áreas costeiras, o Sandcrete apresenta vantagens ambientais e produtivas: utiliza um recurso abundante em regiões áridas, substitui parcialmente o cimento por material natural, tem processo relativamente simples e pode empregar resíduos agrícolas no lugar da madeira. 

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