O segundo dia de julgamento das duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) que pedem a cassação do mandato do senador Sérgio Moro (União Brasil) teve um desfecho surpreendente. O desembargador eleitoral José Rodrigo Sade votou pela perda do mandato e pela inelegibilidade do ex-juiz da Lava Jato. Com esse voto, o julgamento ficou empatado.
A desembargadora Claudia Cristina Cristofani, terceira a votar, pediu vista, adiando a decisão. Assim, o julgamento será retomado na próxima segunda-feira (8). O primeiro dia do julgamento ocorreu na segunda-feira passada (1º), no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), em Curitiba.
O relator do caso, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, havia votado contra a perda do mandato no primeiro dia. Ele considerou que as acusações de abuso de poder econômico na eleição de 2022 não procediam. No entanto, o desembargador José Rodrigo Sade trouxe uma perspectiva diferente.
Sade chamou o julgamento de “VAR das eleições” e o classificou como um “caso difícil”. Ele destacou o uso das redes sociais na pré-campanha de Moro, argumentando que não se pode falar em limites geográficos quando se trata da internet. Para Sade, a campanha de Moro à Presidência, realizada em outros Estados, teve impacto no Paraná.
“Para mim, não parece possível simplesmente apagar os caminhos que o pré-candidato percorreu quando ainda estava pré-candidato presidencial. Não se apaga o passado. Tentando participar de três eleições diferentes, desequilibrou, Sergio Moro, a seu favor, a última: a de senador pelo Paraná,” afirmou o desembargador.
Sade também comparou a situação de Moro com a da senadora Selma Arruda, cujo mandato foi cassado no Mato Grosso por não registrar gastos de R$ 1,2 milhão na contabilidade da campanha. Essa comparação foi mencionada tanto pela defesa de Moro quanto pelos advogados dos partidos que pedem a cassação.
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