A nova presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) Joenia Wapichana disse nesta segunda-feira (2) que pretende comandar o órgão sem interferência política, com decisões pautadas por consulta aos povos indígenas, e com total autonomia. A fala foi durante um ato simbólico em que lideranças indígenas de todo o país retomaram a sede do órgão em Brasília.
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Além da futura presidente da Funai, estiveram presentes a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, a deputada federal eleita pelo Estado de Minas Gerais Célia Xakriabá, o cacique Raoni Metuktire e outros nomes de destaque, como Eloy Terena, Júlio Yanomami, Agnelo Xavante, o pajé Tanawy Xukuru Kariri e Weibe Tapeba, que será secretário de Saúde Indígena do Governo Lula.
Joenia Wapichana cumpre os últimos dias como deputada federal por Roraima, e participou de uma reunião com lideranças e servidores da Funai, após o ato de retomada. Ela deve pedir afastamento do cargo para assumir oficialmente a presidência da Funai.
Em seu discurso, a futura presidente se comprometeu a atuar de forma coletiva e transparente. Sob gritos de “demarcação já” entoados pelos presentes, mencionou priorizar a criação de Grupos Técnicos (GT) que procedem à primeira fase do processo demarcatório, os estudos de identificação. Relembrou, ainda, o falecimento do indigenista Bruno Pereira e de indígenas vítimas de ataques, como os Pataxó e Guarani, além dos Yanomami, que correm constante risco devido à escalada do garimpo ilegal.
Ela disse que, ao aceitar o convite do presidente Lula (PT), deixou claro que pretende atuar com autonomia, sempre ouvindo os indígenas antes de tomar decisões.
Joenia se emocionou ao lembrar do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, mortos na região amazônica do Vale do Javari, no Amazonas, em junho do ano passado.
"Esse governo foi responsável, esse que passou, pela morte das pessoas, não só do Bruno e do Dom, mas dos Yanomami que estão morrendo por causa do garimpo, os ataques ali no Pataxó, ali nos Guarani, que eu conheço, do Mato Grosso do Sul. Da mulher que foi assassinada por conta do ódio. Eu venho de um estado - Roraima, para que não conhece, é um estado anti-indígena, que ano passado assassinou uma mulher com uma criança no colo", relembrou ela, emocionada.
Joenia tem bacharelado em Direito pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Mestrado em Direito Internacional pela Universidade do Arizona. Natural de Boa Vista, estado de Roraima, acumula uma longa trajetória de defesa dos povos originários. Ela foi a primeira mulher indígena a exercer a advocacia no país e também a primeira deputada federal indígena do Brasil.