Pesquisadores da Embrapa Pantanal confirmaram o primeiro registro do cervo chital (Axis axis), uma espécie invasora originária da Ásia, no bioma pantaneiro. O animal foi avistado em janeiro de 2026 em uma fazenda ao sul de Corumbá (MS), região de difícil acesso próxima à fronteira com o Paraguai. A chegada deste mamífero de grande porte, que pode ultrapassar os 100 kg, preocupa especialistas devido aos riscos de competição por recursos e transmissão de doenças para espécies nativas, como o cervo-do-pantanal, que já está ameaçado de extinção.
A invasão do chital no Brasil começou pelo Rio Grande do Sul em 2009 e tem avançado rapidamente para o norte, atingindo São Paulo em 2024. Especialistas alertam que o país carece de uma governança pública eficaz para o controle de espécies exóticas, repetindo falhas cometidas no manejo do javali. Além da dispersão natural, o comércio ilegal dessas espécies como animais “ornamentais” na internet, com preços que superam R$ 10 mil, agrava o potencial de introduções acidentais em novas áreas através de escapes de cativeiros.
Diante do cenário, cientistas reforçam a urgência de políticas públicas mais rigorosas e da formação de profissionais qualificados em gestão de vida selvagem. Sem um plano de contenção efetivo, estima-se que em menos de 20 anos o cervo chital possa alcançar diversos estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste, além do sul da Bahia.
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