Nise da Silveira foi uma das médicas que ajudaram a transformar a forma como pessoas com transtornos mentais eram tratadas no Brasil. Nascida em 1905, em Maceió (AL), ingressou aos 16 anos na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo a única mulher de sua turma. Ao retomar a carreira na psiquiatria, em 1944, encontrou hospitais onde eram utilizados métodos considerados agressivos para controlar os pacientes, como o eletrochoque, a insulinoterapia e a lobotomia. Nise se recusou a aplicar essas práticas e passou a buscar formas menos violentas de cuidado.
Na época, o eletrochoque utilizava correntes elétricas para provocar convulsões no paciente e era empregado no tratamento de diferentes transtornos psiquiátricos. Já a insulinoterapia consistia na aplicação de doses elevadas de insulina para provocar um estado de coma, enquanto a lobotomia era uma cirurgia que alterava conexões entre regiões do cérebro. Em oposição a esses procedimentos, Nise assumiu, em 1946, a Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, e passou a utilizar atividades como pintura, desenho e modelagem no acompanhamento dos pacientes.
Para Nise, as produções artísticas poderiam revelar sentimentos, conflitos e experiências que nem sempre conseguiam ser expressos por meio da fala. A experiência levou à criação, em 1952, do Museu de Imagens do Inconsciente, dedicado à preservação e ao estudo dessas obras. Em 1956, ela também criou a Casa das Palmeiras, voltada para pessoas que deixavam instituições psiquiátricas. Seu trabalho ganhou reconhecimento no Brasil e no exterior e contribuiu para a psiquiatria, a terapia ocupacional e a construção de formas mais humanizadas de cuidado em saúde mental. Nise da Silveira morreu em 1999, aos 94 anos, e, em 2022, teve seu nome incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
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