As mudanças climáticas, a redução da produção agrícola e as tensões comerciais estão aumentando a pressão sobre o sistema alimentar global e podem agravar instabilidades em diferentes regiões. Secas prolongadas e eventos extremos já afetam colheitas, enquanto guerras e problemas nas cadeias de abastecimento elevam os preços de grãos, combustíveis e fertilizantes. A possibilidade de um novo El Niño também preocupa especialistas por seu potencial de intensificar a insegurança alimentar.
Pesquisas recentes apontam que os impactos não estão relacionados apenas à falta de alimentos. Alterações na produtividade agrícola podem valorizar determinadas áreas e aumentar a disputa por terras e recursos naturais, criando novos grupos beneficiados e prejudicados. “As perdas mais severas estão nas regiões tropicais”, afirmou o pesquisador Hannes Mueller, que participou do estudo que criou o Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi). Em países com instituições frágeis ou governos autoritários, a competição por recursos pode favorecer crises sociais, migrações e conflitos.
O Sul da Ásia e o Sahel aparecem entre as regiões que exigem maior atenção devido à combinação entre vulnerabilidade climática, crescimento populacional e dependência de recursos naturais e mercados internacionais. No Sul da Ásia, cerca de 2 bilhões de pessoas dependem de recursos hídricos ameaçados pelas mudanças no clima, enquanto a agricultura enfrenta ondas de calor, enchentes e avanço da água salgada. Para especialistas, a capacidade de governos, tribunais e instituições locais de promover negociações será decisiva para evitar que as disputas por água, terra, alimentos e oportunidades econômicas evoluam para confrontos violentos.
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