Um evento climático extremo é caracterizado por desastres naturais de grande magnitude que resultam em mais de 100 mortes, afetam mais de um milhão de pessoas ou atingem mais da metade da população local, levando à declaração de estado de emergência. Tais ocorrências, que somaram 157 registros globais no ano, demonstram a crescente vulnerabilidade humana diante de um planeta mais quente e instável. Pesquisas do consórcio World Weather Attribution (WWA) mostram a influência da mudança climática na maioria desses eventos.
A ciência climática, apesar de sofrer com a desigualdade de dados em regiões vulneráveis, tem sido capaz de traçar um paralelo direto entre a atividade humana e a intensidade das tragédias. Segundo Theodore Keeping, pesquisador do Imperial College, eventos de 2025, como ciclones, ondas de calor e inundações, são a materialização dos alertas feitos há uma década, na época do Acordo de Paris. A frequência de extremos climáticos atinge níveis inéditos, evidenciando que os limites da adaptação estão sendo superados.
O aumento de aproximadamente 0,3°C na temperatura média global desde 2015, totalizando 1,3°C de aquecimento, é o principal catalisador dessa realidade. As emissões recordes de combustíveis fósseis intensificam o cenário, resultando em, na média, 11 dias extras de calor extremo por ano. Esse cenário demonstra a urgência em conter as emissões e adaptar a infraestrutura global para um clima que já se manifesta de forma mais agressiva e imprevisível.