A taxa de mortes no trânsito brasileiro causadas pelo consumo de álcool voltou a subir após a pandemia, atingindo a marca de 6,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2024, o maior índice desde 2016. No total, o país registrou 13.075 mortes no período, um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. O levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) revela ainda que os homens são as principais vítimas, respondendo por 86,7% dos óbitos, com Tocantins, Piauí e Mato Grosso liderando os índices de mortalidade.
Especialistas apontam que a disparada no uso de motocicletas desde a pandemia, cuja frota nacional cresceu 20%, superando o ritmo dos automóveis, tornou o trânsito mais complexo e vulnerável, impactando diretamente os índices. Sob o efeito do álcool, motoristas têm a capacidade de percepção e o tempo de reação severamente comprometidos, o que aumenta o risco de colisões graves, especialmente contra motociclistas e entregadores que já atuam em condições de alta exposição.
Apesar de o Brasil possuir uma das legislações mais rígidas do mundo, com a Lei Seca prevendo multas de até R$ 5,8 mil, suspensão da habilitação e detenção de até três anos para casos criminais, a fiscalização isolada tem se mostrado insuficiente para conter a alta. Estados como São Paulo chegaram a dobrar o número de blitze de alcoolemia, mas entidades médicas e sociais reforçam que o controle definitivo da mortalidade exige ações contínuas que integrem policiamento severo, melhoria no atendimento de emergência e campanhas educativas.
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