As temidas pítons-birmanesas, conhecidas por engolirem presas inteiras, ossos inclusos, escondem um segredo biológico impressionante. Diferente das corujas, que regurgitam restos não digeríveis, essas cobras conseguem dissolver completamente o esqueleto de suas vítimas graças a um tipo de célula intestinal até então desconhecido. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Montpellier e apresentada recentemente na Conferência Anual da Sociedade de Biologia Experimental, na Bélgica.
O estudo revelou que essas células especiais, localizadas ao longo do intestino das cobras, armazenam o excesso de cálcio, fósforo e ferro absorvidos da presa em partículas microscópicas, que depois são eliminadas nas fezes. O mecanismo evita que o excesso de minerais cause intoxicação algo raro entre vertebrados. Essa habilidade surpreendente não apenas garante a sobrevivência dos pítons entre longos jejuns, mas também lança nova luz sobre como répteis e, possivelmente, outros animais lidam com dietas ricas em ossos.
Além dos pítons, os cientistas também encontraram vestígios do mesmo sistema em outras serpentes e no lagarto venenoso monstro-de-gila. A descoberta abre caminho para investigações em aves, mamíferos e até mesmo em fósseis, oferecendo uma nova ferramenta para entender a evolução da digestão óssea. Para os pesquisadores, essas partículas intestinais são como cápsulas de adaptação silenciosas, mas vitais para a sobrevivência.
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