Monday, 08 de June de 2026
30/11/2024   15:10h - Meio Ambiente

Mineração de urânio por empresa russa gera temor de contaminação de água na Namíbia

Em Leonardville, uma vila no sudeste da Namíbia, um projeto de mineração de urânio liderado pela estatal russa Rosatom está gerando um grande debate. A proposta utiliza ácido sulfúrico para extrair urânio, uma técnica inédita no continente, e levanta preocupações sobre a contaminação do maior aquífero da região, essencial para a sobrevivência no deserto de Kalahari, que abastece a Namíbia, a África do Sul e Botsuana.

 

A comunidade local está dividida sobre o projeto. Muitos veem a mineração como uma oportunidade de combater o desemprego e a pobreza, enquanto outros, como o agricultor Imo Gift Kapamba Musasa, temem os danos ambientais que podem comprometer a agricultura e o abastecimento de água. Autoridades, como o ministro da Agricultura da Namíbia, Calle Schlettwein, alertam sobre os riscos irreversíveis à água subterrânea, essencial para a região.

 

A Rosatom busca apoio local oferecendo doações e projetos sociais, como a construção de uma cozinha para uma escola, mas essas ações são vistas por alguns como uma tentativa de “greenwashing”. A disputa é ainda mais complicada pela oposição de agricultores da Associação de Mineração do Aquífero Stampriet (SAUMA) e pela expectativa das eleições nacionais, que decidirão o futuro das licenças de mineração. A situação também reflete desigualdade econômica e tensões raciais na região.

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