O sul de Minas Gerais pode virar zona de sacrifício ambiental para alimentar a indústria da guerra. Mineradoras estrangeiras aguardam por licenças ambientais para a extração de terras raras em áreas de Mata Atlântica em Caldas e Poços de Caldas, municípios da região, preocupando ambientalistas e moradores. O conjunto de 17 elementos químicos chamados de terras raras é cobiçado pela indústria tecnológica, principalmente depois da popularização de Inteligências Artificiais. No entanto, o uso das terras raras vai além da tecnologia utilizada no cotidiano e abrange a indústria armamentista.
“Por causa da resistência ao calor, as terras raras são essenciais para o funcionamento de drones, mísseis balísticos e bombas inteligentes. São materiais estratégicos também para a indústria militar”, explica o físico e ambientalista Daniel Tygel. Conforme Tygel, as terras raras têm características que permitem a miniaturização de produtos eletrônicos, tornando possível, por exemplo, a produção de capacitores menores.
“As terras raras são elementos com uma capacidade única de magnetização. Isso permite a construção de ímãs permanentes extremamente potentes, mesmo em pequenas dimensões, e que mantêm essa propriedade em altas temperaturas”, explica. Ambientalistas e moradores da região têm alertado para a falta de participação popular nas decisões que envolvem os licenciamentos. Além disso, apontam consequências irreversíveis de uma mineração predatória no sul de Minas.
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