Uma milícia armada aliada da China está garantindo a segurança de novas minas de terras raras no estado de Shan, no leste de Mianmar, em meio a esforços de Beijing para ampliar seu controle sobre minerais estratégicos. As minas estão sob a proteção da United Wa State Army (UWSA), uma das maiores forças armadas não estatais da região, conhecida por sua forte ligação militar e econômica com o governo chinês. A medida vem após a perda de acesso a depósitos no norte do país, na região de Kachin, dominada por rebeldes.
Com a instabilidade na área norte, empresários chineses abriram novas operações entre Mong Hsat e Mong Yun, próximas à fronteira, empregando trabalhadores locais em turnos contínuos e utilizando produtos químicos na extração. Segundo a organização Shan Human Rights Foundation, o controle da UWSA é rígido: a entrada nas áreas de mineração requer documentos emitidos pela própria milícia, e as minas são operadas por empresas chinesas sob supervisão de gerentes que falam mandarim.
Embora menores que os complexos em Kachin, as minas em Shan devem fornecer metais raros como disprósio e térbio, cruciais para tecnologias de ponta, como eletrônicos e energia renovável. A UWSA, que controla uma área do tamanho da Bélgica e possui cerca de 35 mil combatentes armados, é vista por analistas como um instrumento estratégico de Beijing para manter influência estável na fronteira com Mianmar.
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