Mianmar iniciou ontem (28) as suas primeiras eleições legislativas em cinco anos, um processo conduzido pela junta militar sob forte ceticismo internacional. O pleito, apresentado pelo regime como uma via para a "reconciliação nacional", ocorre em meio a uma devastadora guerra civil que já dura quase cinco anos, forçando a votação a ser dividida em etapas ao longo de um mês devido à falta de controle territorial do exército sobre diversas regiões do país.
A legitimidade do processo é amplamente contestada pela ONU e por governos estrangeiros, que classificam a votação como uma tentativa do general Min Aung Hlaing de validar seu poder. A oposição foi sistematicamente excluída: a líder democrática Aung San Suu Kyi permanece na prisão, e seu partido, vencedor do último pleito livre em 2020, foi dissolvido. Grupos de resistência armada pediram o boicote às urnas, chamando o evento de "farsa eleitoral".
Enquanto as urnas eram abertas, a situação humanitária permanecia crítica, com mais de 3,5 milhões de deslocados internos e conflitos ativos em vários estados. A integridade dos resultados é posta em dúvida, já que o censo pré-eleitoral não conseguiu atingir quase 19 milhões de cidadãos em áreas de conflito. Independentemente da contagem dos votos, a junta militar já sinalizou que o Exército manterá o controle central sobre as decisões políticas do país por tempo indeterminado.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.