quinta, 23 de abril de 2026
29/12/2025   08:20h - Política Internacional

Mianmar realiza eleições após cinco anos de guerra civil

Mianmar iniciou ontem (28) as suas primeiras eleições legislativas em cinco anos, um processo conduzido pela junta militar sob forte ceticismo internacional. O pleito, apresentado pelo regime como uma via para a "reconciliação nacional", ocorre em meio a uma devastadora guerra civil que já dura quase cinco anos, forçando a votação a ser dividida em etapas ao longo de um mês devido à falta de controle territorial do exército sobre diversas regiões do país.

 

A legitimidade do processo é amplamente contestada pela ONU e por governos estrangeiros, que classificam a votação como uma tentativa do general Min Aung Hlaing de validar seu poder. A oposição foi sistematicamente excluída: a líder democrática Aung San Suu Kyi permanece na prisão, e seu partido, vencedor do último pleito livre em 2020, foi dissolvido. Grupos de resistência armada pediram o boicote às urnas, chamando o evento de "farsa eleitoral".

 

Enquanto as urnas eram abertas, a situação humanitária permanecia crítica, com mais de 3,5 milhões de deslocados internos e conflitos ativos em vários estados. A integridade dos resultados é posta em dúvida, já que o censo pré-eleitoral não conseguiu atingir quase 19 milhões de cidadãos em áreas de conflito. Independentemente da contagem dos votos, a junta militar já sinalizou que o Exército manterá o controle central sobre as decisões políticas do país por tempo indeterminado.

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