O governo mexicano colocou Cuba no centro de sua agenda internacional, em meio ao aumento da pressão dos Estados Unidos sobre a ilha. Desde a retomada de medidas mais duras por parte de Washington, a presidente Claudia Sheinbaum tem reiterado publicamente críticas ao que chama de estrangulamento econômico imposto pelos EUA e reafirmado o apoio do México a Havana. A postura firme supera, inclusive, a reação mexicana a outras crises regionais recentes e reflete uma tradição histórica de alinhamento, retomada com força pelo partido governista Morena.
A defesa de Cuba não se restringe ao discurso presidencial. Lideranças do Morena, tanto no Parlamento quanto na direção partidária, passaram a se manifestar de forma recorrente em solidariedade ao governo cubano. Setores mais ideológicos do partido adotaram a crise como uma bandeira política, pressionando pela ampliação dos laços bilaterais. Esse movimento evidencia tensões internas, mas também reforça a identidade histórica de parte da esquerda mexicana, que vê em Cuba um símbolo de resistência.
Nos últimos dias, a presidente nacional do Morena, Luisa Alcalde, e a secretária-geral da sigla, Carolina Rangel, visitaram a Embaixada de Cuba no México, gesto que foi publicamente agradecido pelo governo cubano. O presidente Miguel Díaz-Canel incluiu o partido mexicano entre seus apoiadores internacionais, enquanto fontes próximas à presidência mexicana destacam que o posicionamento reflete uma solidariedade histórica com o povo cubano, ainda que vá além das correntes mais radicais dentro do partido governista.
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