domingo, 06 de setembro de 2026
29/07/2026   08:20h - Meio Ambiente

Mercúrio se acumula duas vezes mais rápido na Península Antártica, aponta estudo

Mesmo isolada dos grandes centros industriais, a Península Antártica está acumulando mercúrio no fundo do mar a um ritmo duas vezes maior que a média das outras plataformas continentais do planeta. Um estudo publicado na revista científica PNAS, revelou que a velocidade dessa contaminação subiu 160% desde o início da Era Industrial. Para chegar às conclusões, cientistas analisaram amostras do sedimento marinho e reconstruíram o histórico de poluição da região nos últimos 200 anos.

 

O fenômeno é impulsionado por dois fatores principais ligados às mudanças climáticas e à atividade humana. O primeiro é a maior absorção direta do mercúrio atmosférico pelo oceano, amplificada pelo recuo da camada de gelo que deixa superfícies líquidas maiores expostas. O segundo fator vem do continente: o degelo acelerado de geleiras e solos congelados está liberando estoques do metal pesado que ficaram armazenados no gelo e na neve por séculos.

 

A pesquisa alerta que o ecossistema polar deixou de ser apenas um reservatório passivo de poluentes e passou a atuar como um ponto de redistribuição de contaminantes para o ambiente. Como o mercúrio é extremamente tóxico e tende a se bioacumular na fauna marinha, a intensificação desse ciclo representa uma ameaça crescente para a preservação das cadeias alimentares da Antártida.

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