A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reagiu com indignação às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que irritaram aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao minimizar a atuação dos países europeus nas operações no Afeganistão. Em publicação nas redes sociais, Meloni lembrou que os Estados Unidos foram o primeiro e único membro da aliança a acionar o Artigo 5, dispositivo que estabelece que um ataque contra um país da Otan é considerado uma agressão contra todos, ressaltando o caráter coletivo da resposta militar após os atentados de 11 de setembro.
Na mensagem, a chefe do governo italiano afirmou que as declarações de Trump, segundo as quais aliados teriam “ficado para trás” durante as operações, são inaceitáveis. Meloni destacou que mais de 50 soldados italianos morreram ao longo de quase 20 anos de envolvimento no Afeganistão e que outros 700 militares ficaram feridos em missões de combate e segurança. Para ela, a ativação do Artigo 5 representou um ato “extraordinário de solidariedade” com os Estados Unidos, evidenciando o compromisso da Itália e de outros países com a aliança atlântica.
Apesar do tom firme, Meloni reforçou a amizade histórica entre Itália e Estados Unidos, afirmando que a parceria é baseada em valores compartilhados, mas depende de respeito mútuo para se manter. As declarações de Trump também foram criticadas por outras autoridades italianas, como o vice-premiê e chanceler Antonio Tajani e o ministro da Defesa, Guido Crosetto. Ainda assim, a premiê enfrentou críticas da oposição interna pela demora em se manifestar, já que sua reação ocorreu mais de um dia após posicionamentos semelhantes de líderes do Reino Unido, Polônia e Dinamarca.
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