quarta, 22 de julho de 2026
20/06/2026   08:00h - Entrevistas

MATHEUS GARCIA Empresário e ativista ambiental, fala ao ON Jornal sobre sua trajetória, visão do cenário político atual e dos seus projetos futuros

Nascido e criado em Manaus, o empresário e ativista ambiental Matheus Garcia, de 37 anos, traz na bagagem uma trajetória que une tradição e experiência. Atual Diretor de Inovação e Sustentabilidade da GBR Componentes, empresa do Polo Industrial de Manaus, ele alia uma sólida formação em Administração, Economia e Marketing Digital à forte herança de sua família na vida pública amazonense. Defensor da Zona Franca de Manaus e da preservação ambiental, Matheus é uma das vozes que buscam provar, na prática, que o desenvolvimento socioeconômico e o futuro da floresta caminham lado a lado.

 

Em entrevista ao ON Jornal, Matheus Garcia fala sobre sua sobre sua trajetória política, seu trabalho como ativista ambiental, sua visão o atual cenário político e dos seus principais projetos políticos para o futuro. Confira.

 

ON Jornal: Como a sua bagagem e a tradição pública da sua família influenciaram a sua decisão de atuar na política?

 

Matheus Garcia: A política sempre esteve presente na minha vida. Eu cresci assistindo e acompanhando meu avô nas viagens pelo interior, ao lado da minha tia nas campanhas, E isso nunca foi obrigação pra mim. Foi um caminho natural. Cresci vendo e ouvindo de perto conversas sobre os problemas do Amazonas e sempre tive essa compreensão de que a vida pública é, antes de tudo, um compromisso com as pessoas.

 

Mas a minha decisão veio do meu próprio caminho. Como empresário, trabalhando com inovação e sustentabilidade, e também ouvindo comunidades, jovens e trabalhadores, percebi que muitas das mudanças que a gente precisa dependem de decisões políticas. De pessoas que estão no poder não fazem o que deveriam fazer pelo nosso Estado. Foi aí que a minha chave virou, entendi que não bastava apenas apontar problemas ou desenvolver projetos. Eu precisava tentar participar da construção dessas soluções.

 

ON Jornal: Qual a visão que você tem sobre o cenário político atual do Estado? Quais diagnósticos merecem intervenção imediata?

 

Matheus Garcia: O Amazonas tem um potencial gigantesco, mas ainda enfrenta problemas que já deveriam ter sido superados há muito tempo. Problemas crônicos, que ocupam as mesmas cadeiras e repetem os mesmos ciclos. Eu sou um cara que está inconformado com a política. O sistema está enferrujado, tá infectado. Hoje nós vivemos crise em todas as áreas. Na saúde, que está deixando seus profissionais ao léu. Na infraestrutura, no saneamento básico.

 

Falta oportunidade de crescimento pro nosso jovem, falta cuidado e alinhamento no nosso desenvolvimento econômico. Acima de tudo, vejo e escuto faltar o básico para um povo que vive numa terra tão rica. A conta não bate. O estado cresce, mas muita gente continua sem acesso às oportunidades que esse crescimento deveria gerar. O nosso desafio não só apenas atrair investimentos. É garantir que esse desenvolvimento chegue na ponta, gere emprego e qualidade de vida.

 

ON Jornal: Como ativista ambiental, quais são os principais gargalos na gestão pública quando o assunto é sustentabilidade urbana e saneamento?

 

Matheus Garcia: O principal gargalo é que ainda tratamos sustentabilidade como um tema separado da vida das pessoas. Como idealismo ou militância. Quando um igarapé está poluído, esse não é só um problema ambiental. É um problema de saúde pública, de qualidade de vida e de dignidade. Passa por segurança, e é um problema de educação também. Falta planejamento de longo prazo, integração entre os órgãos públicos, sociedade civil e logística reversa das grandes empresas com prioridade para ações preventivas. O saneamento precisa deixar de ser uma promessa recorrente e virar política permanente. Aplicada.

 

ON Jornal: Quais são os seus principais projetos políticos para a questão ambiental?

 

Matheus Garcia: Minha principal defesa é transformar a proteção ambiental em oportunidade para as pessoas. Isso passa por fortalecer a bioeconomia, ampliar projetos de recuperação de igarapés, incentivar a inovação voltada para soluções ambientais e aproximar a juventude dessas pautas. O Amazonas não precisa escolher entre preservar e desenvolver. O desafio é justamente criar um modelo que faça as duas coisas acontecerem juntas.

 

ON Jornal: Como conciliar crescimento urbano, investimentos e preservação ambiental?

 

Matheus Garcia: Com planejamento. Quando a cidade cresce sem planejamento, a conta chega em forma de alagação, poluição, trânsito e perda de áreas verdes. Precisamos incentivar empreendimentos sustentáveis, ampliar áreas verdes urbanas, recuperar igarapés e incorporar soluções ambientais nos projetos de infraestrutura. Além de políticas públicas de educação ambiental. A pergunta não deveria ser se é possível conciliar desenvolvimento e preservação. A pergunta é como fazer isso da forma mais inteligente possível?

 

ON Jornal: Como a Zona Franca pode continuar sendo defendida nacionalmente como exemplo de atividade industrial que protege a floresta?

 

Matheus Garcia: A nossa Zona Franca é uma das maiores políticas de preservação ambiental do Brasil. Enquanto outros estados expandiram suas atividades econômicas sobre áreas de floresta, o Amazonas conseguiu concentrar desenvolvimento e geração de emprego em uma área urbana. E essa defesa precisa evoluir. Ir, para além da indústria, fortalecer inovação, tecnologia, pesquisa e bioeconomia para que ela continue sendo uma referência para o Brasil e para o mundo.

 

ON Jornal: Quais alternativas existem para destravar os gargalos logísticos respeitando o meio ambiente?

 

Matheus Garcia: O primeiro passo é abandonar a falsa ideia de que desenvolvimento e preservação são adversários. O Amazonas precisa de infraestrutura. Precisa melhorar sua logística, sua conectividade e sua capacidade de escoamento da produção interna. Isso deve acontecer com planejamento, estudos técnicos e responsabilidade ambiental. Já existem tecnologias e soluções que permitem que a gente avance sem repetir erros do passado. O desafio não é escolher entre desenvolvimento e meio ambiente. É fazer os dois caminharem juntos.

 

ON Jornal: O que falta para sairmos da reação e passarmos para a prevenção dos eventos climáticos?

 

Matheus Garcia: Todo ano enfrentamos secas severas, cheias extremas ou eventos climáticos que já são previsíveis. Ainda assim, grande parte das ações acontece quando a crise já está instalada. Mais uma vez, voltamos ao planejamento como prioridade. Precisamos investir mais em monitoramento, infraestrutura resiliente, proteção de áreas vulneráveis e planejamento urbano. Prevenção sempre custa menos do que reconstrução. 9.

 

ON Jornal: Quais são os seus principais projetos e propostas inovadoras para transformar Manaus?

 

Matheus Garcia: Eu acredito em um Amazonas mais conectado com o futuro. Um Estado que usa a seu favor suas riquezas, sua força da inovação, da tecnologia, da indústria e do conhecimento produzido aqui dentro. Acredito muito em contribuir para criar pontes entre a juventude, as universidades, o Polo Industrial e as oportunidades que existem no mercado. O Amazonas tem talento. Muitas vezes o que falta é acesso.

 

ON Jornal: Como suas ideias pretendem engajar a juventude nas decisões políticas?

 

Matheus Garcia: Primeiro ouvindo. Esse tem sido o meu “norte”. A juventude quer participar, mas muitas vezes não encontra espaços reais para isso. Precisamos aproximar a política da vida das pessoas, falar uma linguagem mais acessível e criar mecanismos para que os jovens participem da construção das decisões, e não apenas assistam de longe. Reestabelecer programas de incentivo, uma secretaria que priorize esse cuidado. O futuro do Amazonas não pode ser discutido sem quem vai viver esse futuro.

 

ON Jornal: Sua visão inclui maior articulação entre município, Polo Industrial e órgãos de controle?

 

Matheus Garcia: Sem dúvida. Os grandes desafios do Amazonas são complexos demais para serem resolvidos de forma isolada. Precisamos construir mais diálogo entre o setor público, a indústria, a academia, os órgãos de controle e a sociedade civil. O Polo Industrial acumulou conhecimento, tecnologia e capacidade de investimento ao longo de décadas. E toda essa experiência pode contribuir muito para projetos de infraestrutura verde, inovação e desenvolvimento sustentável.

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