Matheus Garcia é ativista ambiental, coordenador do projeto Galho Forte e diretor de Inovação e Sustentabilidade da GBR Componentes da Amazônia. Atuante em iniciativas de preservação e conscientização socioambiental, tem se dedicado a dar visibilidade a causas ligadas à Amazônia e ao impacto das políticas públicas sobre comunidades locais.
Nas redes sociais, Matheus compartilha reflexões, projetos e experiências que ampliam o debate sobre o futuro da Amazônia e a importância de agir agora para garantir sua proteção.
Sua voz tem ganhado destaque em eventos, entrevistas e movimentos que reforçam o papel da Amazônia como patrimônio mundial e fonte de vida. Com carisma e propósito, Matheus representa uma nova geração de líderes amazônicos comprometidos com um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, justo e verde.
Ao ON Jornal, ele falou de sua trajetória, projetos e sobre como o cuidado ambiental é imprescindível para a convivência humana. Confira.
ON Jornal - Você poderia contar um pouco sobre como surgiu sua motivação para unir empreendedorismo e ativismo ambiental?
Matheus Garcia - Eu cresci em Manaus vendo duas realidades lado a lado: a potência da Zona Franca gerando emprego e tecnologia, e os igarapés sofrendo com descarte irregular. Quando assumi a diretoria de Inovação e Sustentabilidade na GBR, ficou claro que inovação que ignora o território não é inovação, é um atalho curto. Com a coordenação Galho Forte eu peguei o incômodo e transformei em projeto. Começamos com mutirões pequenos, fomos aprendendo a medir impacto, e hoje conecto o que faço na indústria com ações práticas de educação ambiental nas comunidades, nas escolas e na orla do Rio Negro.
ON Jornal - Quais são os principais desafios que você enfrenta ao propor iniciativas sustentáveis dentro do âmbito empresarial na Amazônia?
Matheus Garcia - Tem três travas típicas. Primeiro, logística: fazer o certo aqui é mais caro e mais distante; precisa planejamento e parceiro local.
Segundo a informalidade da cadeia de resíduos, que dificulta rastrear destino e garantir escala. Terceiro, a falsa dicotomia “ou preserva ou desenvolve”. Eu lido com isso trazendo números e governança: meta clara de impacto, compliance para cada ação, risco mapeado e um ganho percebido pelo negócio.
ON Jornal - Que projetos ou ações ambientais você está desenvolvendo atualmente, e qual impacto espera gerar para a região?
Matheus Garcia - Hoje estou focado em dois projetos:
Orlas e Igarapés (Parque Rio Negro, São Raimundo): ativação com voluntários + observação guiada no mirante para escolas. A ideia é mostrar o problema e a solução ao vivo, criar brigadas escolares e reduzir descarte irregular do lixo mapeados pela própria comunidade.
PET → Filamento 3D (via GBR + Galho Forte): transformar garrafas coletadas em filamento para imprimir brinquedos e protótipos pedagógicos. Fizemos piloto com crianças de Tefé, a educação na prática é ver a garrafa virar objeto de valor e, junto, virar consciência.
ON Jornal - Como você articula parcerias com governo, setor privado e comunidade local para viabilizar seus projetos ambientais?
Matheus Garcia - Eu trato como um “acordo de três vias”:
Governo entra com autorização, integração com limpeza urbana/reciclagem e, quando possível, apoio logístico (conseguimos realizar esse feito em Parintins na ação Parintins Sem Isopor);
Setor privado (GBR e parceiros) aporta EPIs, comunicação, tecnologia (como a parte de 3D);
Comunidade/Escola traz legitimidade, gente e continuidade.
ON Jornal - Quais estratégias de comunicação você utiliza para engajar as pessoas com causas ambientais — especialmente nas redes sociais?
Matheus Garcia - A minha técnica de comunicação é “problema → ação → resultado” em formatos curtos. Antes/depois, bastidores e depoimentos de quem participou funcionam muito. Sempre tem um CTA claro: próxima data, ponto de encontro, link de voluntariado. Também adapto a linguagem: no Instagram, reels rápidos com legendas objetivas; no feed, carrossel com passo a passo; nos stories, enquete e convite. E eu apareço, o que se torna um diferencial, rosto e voz aumentam confiança e trazem mais voluntários que qualquer arte bonita sozinha.
ON Jornal - Se você tivesse que apontar uma mudança urgente na política ambiental brasileira, qual seria e por quê?
Matheus Garcia - Uma política nacional de economia circular com metas municipais vinculadas a compras públicas. Quando prefeitura e estado passam a priorizar material reciclado/reutilizado em suas aquisições, você cria demanda real para cooperativas, organiza a cadeia do resíduo e reduz custo de destinação. No Amazonas, isso significa renda local, menos lixo na beira de igarapé e a comunidade enxergando valor no resíduo. É simples, mensurável e muda o jogo do “quem paga a conta” para “quem captura o valor”.
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