O município de Lábrea, localizado no sul do Amazonas e no epicentro da calha do Rio Purus, vive o agravamento de um perigoso cenário ambiental impulsionado pela conversão de floresta nativa em pastagens e pelo avanço irregular de áreas privadas sobre terras devolutas. Mapeamentos georreferenciados e dados de satélite mostram a aceleração do desmatamento na região, que se consolidou como uma das principais portas de entrada do arco do desmatamento no estado.
A análise territorial indica que a pressão sobre os ecossistemas locais decorre da combinação entre a abertura de vicinais não autorizadas, a especulação imobiliária rural e a proximidade com eixos viários estratégicos, como a rodovia BR-230 (Transamazônica) e a BR-319. O avanço da supressão vegetal atinge diretamente zonas de amortecimento de Unidades de Conservação e sobrepõe limites de Terras Indígenas demarcadas, ameaçando populações tradicionais e a biodiversidade de um dos ecossistemas mais preservados da Amazônia Ocidental.
Especialistas e pesquisadores ambientais alertam que a consolidação da grilagem e a falta de regularização fundiária na calha do Purus inviabilizam metas de conservação e elevam o risco de fragmentação florestal contínua. Para conter o avanço do desmatamento em Lábrea, entidades do setor cobram o fortalecimento da fiscalização presencial de órgãos ambientais federais e estaduais, a invalidação de cadastros ambientais rurais (CAR) fraudulentos sobre áreas públicas e o incentivo a modelos econômicos baseados no manejo sustentável do açaí, da castanha e da borracha.
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