Milhares de pessoas voltaram a ocupar praças em Lisboa e no Porto, em Portugal, na terça-feira (20), para protestar contra o aumento do custo de vida e as dificuldades de acesso à moradia. A mobilização foi retomada poucas horas depois de a polícia desmontar acampamentos montados pelos manifestantes e deter 55 pessoas, que foram posteriormente liberadas. Na capital portuguesa, uma assembleia popular decidiu reconstruir as barracas na Praça do Rossio, enquanto os organizadores afirmaram que pretendem manter os atos até que suas reivindicações sejam atendidas.
Os protestos reúnem moradores preocupados com a alta dos preços dos imóveis e dos aluguéis, que têm dificultado especialmente a permanência de jovens nas grandes cidades. Segundo dados citados pela Reuters, os preços de compra de imóveis em Portugal mais que dobraram desde 2017, enquanto os aluguéis de novos contratos quase duplicaram no mesmo período. Os manifestantes também criticam a pressão do turismo e a chegada de trabalhadores estrangeiros com maior poder aquisitivo, fatores apontados no debate sobre a crise habitacional.
Entre as principais reivindicações está a retirada de um projeto de lei do governo de centro-direita que facilita despejos e elimina limites aos valores de aluguel em novos contratos. A proposta já foi aprovada em primeira votação no Parlamento português. Enquanto representantes do movimento classificaram a operação policial como agressiva, a Polícia de Segurança Pública afirmou que a desocupação ocorreu de forma calma e proporcional. Os manifestantes prometem continuar mobilizados para pressionar as autoridades por medidas que ampliem o acesso à habitação e reduzam os efeitos da crise sobre a população.
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