No dia 19 de julho de 1975, Manaus viveu um evento climático raro e inesquecível que entrou para os anais da história local: o dia em que a capital do Amazonas "tremeu de frio". Acostumada com o calor intenso e a umidade característicos do clima equatorial, a população manauara foi surpreendida por uma potente massa de ar polar que avançou pelo interior do continente e alcançou o sul e o centro da Amazônia, provocando uma queda brusca de temperatura e registrando mínimas históricas na cidade.
Naquela manhã de sábado, os moradores acordaram com ventos gelados e termômetros marcando marcas impressionantes para os padrões regionais. O fenômeno, conhecido como "friagem", ocorre quando frentes polares de forte intensidade conseguem romper as barreiras de pressão e subir pela Bacia do Prata até a Região Norte. Sem estrutura urbana ou vestuário adequado para temperaturas tão baixas, o cotidiano da cidade mudou drasticamente: casacos esquecidos no fundo dos armários ganharam as ruas e as conversas nas praças e feiras giravam em torno do frio incomum.
O episódio de 1975 tornou-se uma das crônicas urbanas e curiosidades mais populares da memória afetiva amazonense, frequentemente relembrada por jornais, historiadores e moradores antigos. Embora episódios de friagem continuem ocorrendo pontualmente no estado durante os meses de inverno no Hemisfério Sul, a intensidade daquele 19 de julho permanece como um marco de referência histórica sobre as surpresas que o clima da Amazônia pode reservar.
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