Um estudo do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) apontou que 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados do litoral do Paraná contêm microplásticos no trato digestivo. A pesquisa, liderada pela oceanógrafa Fernanda Possatto, destaca que a maior contaminação ocorre em espécies demersais (que vivem no fundo do mar), mas acalma os consumidores ao lembrar que o músculo do peixe, a parte ingerida pelos humanos, ainda não foi avaliado como risco direto à saúde alimentar.
Além dos peixes, os resíduos plásticos microscópicos (menores que 5 mm) foram encontrados em 69% das gaivotas e corujas-buraqueiras avaliadas, o que comprova o caráter sistêmico e a ausência de fronteiras geográficas para a poluição marinha. Outra vertente do monitoramento, coordenada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), revelou um dado ainda mais alarmante na região: 80% das tartarugas-verdes encontradas mortas no litoral paranaense possuíam lixo em seus sistemas digestivos.
De acordo com os especialistas, as micropartículas se formam pela degradação de embalagens, pneus e tintas sob o efeito do sol e do tempo, liberando toxinas que ameaçam a fauna local. Para mitigar o problema e subsidiar a criação de futuros índices de segurança ambiental, os pesquisadores defendem um leque de ações conjuntas, que vão desde a educação ambiental e consumo consciente até mudanças na produção da indústria do plástico.
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