Mais da metade (54,4%) das alunas e dos alunos de graduação que têm filhos já precisou trancar a matrícula ou desistir dos estudos para dar conta dos cuidados com as crianças, número que chega a 36,4% na pós-graduação. Os dados são de um levantamento inédito vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que revelou que o perfil predominante na graduação é de mães (86,5%), negras (60,2%), solteiras (46%) e com renda de até um salário-mínimo (24,6%).
A vulnerabilidade social do grupo se reflete na alimentação e na falta de rede de apoio. Cerca de metade dos estudantes relata que seus filhos não têm direito a consumir nos restaurantes universitários (RUs) e apenas uma parcela mínima usufrui de gratuidade no serviço. Além disso, quase um terço das mães e pais universitários (32,9%) lida com a rotina de estudos e cuidados de forma totalmente solitária, sem contar com qualquer suporte pessoal, público ou privado.
Na pós-graduação, os índices de evasão diminuem, acompanhados por uma mudança no perfil socioeconômico e racial. Nesse nível de ensino, a maioria se autodeclara branca (56,1%), é casada (50,6%) e possui maior estabilidade financeira, com mais de um terço das famílias vivendo com até cinco salários-mínimos. Para os especialistas do MEC, o cenário geral evidencia a urgência de políticas públicas de assistência estudantil integradas que contemplem a maternidade e a paternidade no ambiente acadêmico.
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