Um estudo inédito da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revela que 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a criar planos de ação contra o calor extremo. Embora 93% dos gestores reconheçam o problema, a falta de dados estruturados (ausente em 75% dos municípios) e a dependência de recursos externos (85%) travam as respostas efetivas. Atualmente, a principal aposta são soluções na natureza, como arborização, presente em 77% das localidades.
O levantamento, que integra a iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo, acende o alerta para os impactos na saúde pública. De acordo com o Pnuma, o fenômeno mata cerca de 500 mil pessoas por ano no mundo; no Brasil, ondas de calor causaram cerca de 50 mil mortes em regiões metropolitanas entre 2000 e 2020. O cenário é considerado uma "catástrofe a conta-gotas", superando o número de vítimas fatais por deslizamentos e enxurradas no mesmo período.
A urgência para reverter esse quadro aumenta com a previsão do Cemaden sobre a possível formação de um "Super El Niño" no segundo semestre de 2026, o que deve agravar as secas no Norte e Nordeste e as ondas de calor no Centro do país. Diante disso, 51% dos municípios participantes do programa planejam desenvolver políticas públicas completas nos próximos 18 meses, com o objetivo de proteger e beneficiar cerca de 7 milhões de cidadãos vulneráveis.
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