Friday, 05 de June de 2026
05/06/2026   12:20h - Meio Ambiente

Maioria das cidades do Brasil não tem plano de ação para calor extremo, diz estudo inédito

Um estudo inédito da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revela que 66% das cidades brasileiras ainda não iniciaram ou estão apenas começando a criar planos de ação contra o calor extremo. Embora 93% dos gestores reconheçam o problema, a falta de dados estruturados (ausente em 75% dos municípios) e a dependência de recursos externos (85%) travam as respostas efetivas. Atualmente, a principal aposta são soluções na natureza, como arborização, presente em 77% das localidades.

 

O levantamento, que integra a iniciativa Mutirão Contra o Calor Extremo, acende o alerta para os impactos na saúde pública. De acordo com o Pnuma, o fenômeno mata cerca de 500 mil pessoas por ano no mundo; no Brasil, ondas de calor causaram cerca de 50 mil mortes em regiões metropolitanas entre 2000 e 2020. O cenário é considerado uma "catástrofe a conta-gotas", superando o número de vítimas fatais por deslizamentos e enxurradas no mesmo período.

 

A urgência para reverter esse quadro aumenta com a previsão do Cemaden sobre a possível formação de um "Super El Niño" no segundo semestre de 2026, o que deve agravar as secas no Norte e Nordeste e as ondas de calor no Centro do país. Diante disso, 51% dos municípios participantes do programa planejam desenvolver políticas públicas completas nos próximos 18 meses, com o objetivo de proteger e beneficiar cerca de 7 milhões de cidadãos vulneráveis.

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