quinta, 23 de abril de 2026
09/05/2021   09:40h - Especial

Mães esquecidas: conheça a história das grávidas abondadas por soldados americanos após a Guerra do Vietnam

 Em média, os soldados americanos que combateram no Vietnã tinham 19 anos quando começaram a lutar. Enquanto estiveram no Oriente, tiveram suas namoradas. Ao voltar para casa, muitos deles deixaram filhos abandonados do outro lado do planeta. No Vietnã, essas crianças eram motivo de vergonha de suas mães, que tinham de enfrentar o preconceito da família e a má vontade do regime comunista, que as considerava traidoras da pátria – isso em um país onde os mais velhos costumam dizer que é melhor casar a filha com um cachorro da própria vila a dar sua mão a um forasteiro. Em alguns casos, quando a criança era loira demais e destoava dos padrões étnicos locais, as mães tentavam disfarçar as diferenças pintando os cabelos dos filhos.

Ainda em abril de 1975, os Estados Unidos tentaram repatriar órfãos sul-vietnamitas, muitos deles filhos de americanos. Usando aviões e helicópteros, o Exército salvou mais de 3 mil crianças, apesar de ter perdido centenas delas quando um C5A Galaxy com 400 crianças e 60 voluntários a bordo caiu e 170 pessoas sobreviveram. Desde a queda de Saigon, milhares de vietnamitas tentaram sair ilegalmente do país. Estima-se que, até 1979, 100 mil pessoas tenham conseguido fugir. Foi só em meados da década de 80 que os Estados Unidos criaram um programa consistente de repatriação de vietnamitas que tinham vínculos de parentesco com ex-militares americanos.

Em 1988, o Congresso aprovou o Amerasian Homecoming Act, lei que facilitava a entrada dos amerasiáticos, como eram chamados. “Muitas dessas crianças já eram adolescentes. Depois de anos de abandono das famílias vietnamitas, elas se viram cercadas de parentes que queriam fazer a vida nos Estados Unidos”, diz o psiquiatra americano Robert McKelvey, que lutou no Vietnã e há 30 anos pesquisa as mudanças psicológicas causadas pela imigração.

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