Sunday, 07 de June de 2026
15/11/2025   08:00h - Entrevistas

Luiz Leite, Presidente do FuMTran, fala ao ON Jornal sobre o livro "A História do Transporte na Amazônia", que promete trazer soluções para o transporte regional

Entre os dias 16 e 19 de novembro, o presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), Antonio Luiz Leite, estará em Manaus-AM para uma série de encontros que darão sequência ao desenvolvimento do livro “A História do Transporte na Amazônia”. A obra tem como objetivo resgatar os desafios logísticos e as soluções criativas que moldaram o transporte na região, reconhecendo sua importância histórica, econômica e social.

O trabalho é uma iniciativa da FuMTran, lançada em parceria com a Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (FETRAMAZ). O livro reunirá pesquisas, depoimentos de pioneiros, registros históricos e ilustrações, com o objetivo de documentar a evolução do transporte fluvial, rodoviário e aéreo na região.

À frente da FuMTran desde 2024, Luiz Leite vem reforçando o papel da Fundação na preservação da memória do transporte brasileiro e na valorização de seus protagonistas. Ao ON Jornal, ele falou sobre os objetivos do livro, resgate histórico e o potencial transformador da obra. Confira.

ON Jornal - A FuMTran tem como missão preservar e divulgar a história do transporte brasileiro. Na Amazônia, onde o transporte fluvial é vital, quais aspectos você considera mais urgentes de serem documentados e valorizados?

Luiz Leite - A Amazônia possui uma das maiores redes de rios navegáveis do mundo, comumente chamadas de “estradas d’água” ou “rodovias fluviais”, e é justamente aí que reside sua principal riqueza e também seus maiores desafios logísticos. Documentar e valorizar essa história é essencial, porque ela revela como o transporte fluvial sempre foi a espinha dorsal da integração regional, tanto econômica quanto social. É preciso registrar as soluções criativas encontradas pelas comunidades ribeirinhas, as rotas históricas de navegação, os antigos portos e embarcações, e, sobretudo, as histórias dos homens e mulheres que fizeram do rio o seu caminho. A memória do transporte na Amazônia mostra que o problema nunca foi a falta de rios, mas a falta de continuidade nas políticas públicas voltadas à sua gestão e manutenção.

ON Jornal - Durante sua passagem por Manaus, você se reúne com representantes de grandes empresas do setor. De que forma essas parcerias podem contribuir para o fortalecimento da memória e para o futuro da logística na região amazônica?

Luiz Leite - As reuniões que realizaremos com empresários, lideranças do setor e representantes de instituições locais têm um duplo propósito: fortalecer o apoio à produção do livro “A História do Transporte na Amazônia” e ampliar as parcerias para a preservação da memória do transporte brasileiro.



Por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, empresas tributadas no lucro real podem destinar parte do imposto de renda para projetos culturais como o nosso, o que garante recursos para pesquisa, digitalização de acervos e produção de conteúdos educativos. Além disso, buscamos cooperação na cessão de objetos e registros históricos, entrevistas e depoimentos que integrem tanto o livro quanto o acervo digital da FuMTran. É uma troca valiosa: a iniciativa privada contribui para preservar o passado e, ao mesmo tempo, fortalece o futuro da logística na região.

ON Jornal - A publicação do livro busca resgatar os desafios e as soluções criativas do transporte na Amazônia. O senhor acredita que conhecer essa trajetória pode inspirar políticas públicas ou iniciativas privadas voltadas à inovação no setor logístico?

Luiz Leite - Sem dúvida. O resgate histórico tem um papel educativo e estratégico. Conhecer o passado ajuda a compreender os acertos e os erros que moldaram a logística amazônica. Quando você sabe de onde vem, começa a descobrir para onde vai. Acreditamos que o conteúdo do livro, fruto de uma pesquisa rigorosa e de relatos de protagonistas do setor, pode oferecer subsídios para políticas públicas mais eficazes e inspirar o desenvolvimento de soluções inovadoras, tecnológicas e sustentáveis. A história, nesse caso, se torna um instrumento de planejamento para o futuro.



ON Jornal - Desde que assumiu a presidência da FuMTran, em 2022, o senhor vem reforçando o papel da Fundação na valorização dos protagonistas do transporte. Quais resultados concretos já podem ser destacados dessa gestão?

Luiz Leite - Assumimos a presidência com a missão de dar continuidade e ampliar o alcance dos projetos de memória, acervo e portal. Em 2025, demos início à terceira etapa do Museu Virtual: o Portal Memória do Transporte, que já reúne cerca de 18 mil itens catalogados e digitalizados, com meta de chegar a 20 mil até o primeiro semestre de 2026. Também intensificamos a produção de conteúdos audiovisuais, como depoimentos, relatos e entrevistas disponíveis em nosso canal no YouTube. Esses avanços consolidam a FuMTran como a principal referência nacional na preservação e divulgação da história do transporte brasileiro, tornando o acesso ao acervo cada vez mais democrático.

ON Jornal - A preservação da memória histórica do transporte é também uma forma de educação e de fortalecimento da identidade nacional. Como a FuMTran tem trabalhado para aproximar esse acervo do público, especialmente das novas gerações?

Luiz Leite - Nosso esforço tem sido o de transformar a memória em conhecimento acessível. O Museu Virtual da FuMTran foi pensado para isso. Ele é totalmente responsivo, podendo ser acessado de computadores ou celulares, e reúne textos, imagens, vídeos e artigos sobre os diversos modais de transporte. Além disso, estamos produzindo versões acessíveis dos nossos conteúdos, como audiolivros e audiodescrição, ampliando o alcance para pessoas com deficiência visual. Queremos que estudantes, pesquisadores e jovens interessados em história e tecnologia encontrem no transporte uma fonte de aprendizado e inspiração para o futuro.

ON Jornal - O transporte na Amazônia é apontado como uma das expressões mais complexas da logística brasileira. Que lições o restante do país pode aprender com a experiência amazônica, especialmente no equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade?

Luiz Leite - A principal lição que a Amazônia oferece é a necessidade de planejamento de longo prazo e respeito às suas particularidades ambientais. Historicamente, muitos projetos de transporte na região foram interrompidos ou esquecidos, o que impediu o aproveitamento pleno do potencial fluvial. O equilíbrio entre infraestrutura e sustentabilidade exige compreender o comportamento dos rios, as mudanças climáticas e a realidade das populações locais. O futuro do transporte na Amazônia passa por investir em balizamento, portos resilientes, dragagem sustentável e integração entre os modais fluvial, rodoviário e aéreo. Se o Brasil aplicar essas lições, poderá desenvolver soluções logísticas mais inteligentes, humanas e sustentáveis em todo o território.

Sobre a FuMTran – Fundação Memória do Transporte

A FuMTran – Fundação Memória do Transporte – nasceu em março de 1996, instituída pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), com a missão de preservar e divulgar a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em todas as modalidades. Seus objetivos envolvem organizar, preservar e tornar acessíveis os registros históricos da atividade dos transportes. A entidade tem, ainda, a missão de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico-cultural do Brasil por meio da conservação da memória e da cultura do transporte brasileiro em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário –, seja de carga ou de passageiros, mais a infraestrutura e a logística, tornando-os acessíveis à população. Os projetos de memória, acervo e portal são perenes, um processo contínuo, um trabalho sem fim.



Currículo resumido — Antônio Luiz Leite

Empresário nascido em Laranjal Paulista (SP), Antônio Luiz Leite é presidente da Fundação Memória do Transporte (FuMTran), vice-presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) e diretor político da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP).

Preside também a Primax Transportes Pesados Ltda., empresa com mais de 60 anos de atuação, e a Império Transportes e Negócios Ltda.. Participa ainda de ações sociais como vice-presidente do Projeto Crescer em Laranjal Paulista, mantido pelo Centro Espírita Kardecista Luz de Maria.

 

Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu a Medalha do Mérito do TRC Paulista – Adalberto Panzan (2007) e a Medalha de Mérito do Transporte – NTC (2012).

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