Quinto e último imperador da dinastia Júlio-Claudiana, Nero assumiu o trono romano em 54 d.C., aos 16 anos, marcando um período de profunda transição para o Império. Seu governo consolidou a centralização do poder absoluto nas mãos do imperador em detrimento da autoridade do Senado. Para fortalecer sua imagem, priorizou a diplomacia no Oriente e buscou popularidade junto às massas por meio do financiamento às artes, obras públicas e grandes espetáculos, promovendo a cultura helenística por todo o Mediterrâneo.
Sua administração ficou marcada por crises dramáticas e controvérsias históricas, com destaque para o Grande Incêndio de Roma, em 64 d.C. O episódio serviu de pretexto para uma audaciosa reformulação urbanística da capital e para a construção da suntuosa Domus Aurea, mas também deflagrou a primeira perseguição estatal aos cristãos. À medida que seu mandato avançava, o aumento da repressão política e as execuções de membros da elite senatorial e de sua própria família isolaram o imperador do establishment romano.
A queda de Nero, culminada em seu suicídio no ano de 68 d.C., pôs fim à linhagem iniciada por Augusto e desencadeou a primeira grande crise de sucessão imperial, o Ano dos Quatro Imperadores. Apesar da reputação de tirano perpetuada por historiadores da elite e pela tradição cristã, seu legado é reavaliado como um divisor de águas que expôs as fragilidades estruturais do Principado e definiu os rumos da autocracia em Roma.