A descoberta de Elizabeth Burr como parente de Anna Jarvis, realizada pela plataforma MyHeritage, revelou que sua família não celebrava o Dia das Mães por respeito ao descontentamento de Anna com a comercialização da data. O movimento de Anna foi inspirado por sua mãe, Ann Reeves Jarvis, que buscava reconhecimento para o papel essencial das mães na sociedade. Ann Reeves Jarvis foi uma ativista que liderou clubes de mães na Virgínia Ocidental para combater a alta mortalidade infantil, ensinando práticas de higiene e saneamento. Tendo perdido nove de seus treze filhos para doenças, ela dedicou sua vida a melhorar as condições de saúde de sua comunidade e a prestar assistência a famílias doentes.
Quando Ann Reeves Jarvis morreu, em 1905, cercada pelos quatro filhos sobreviventes, Anna ficou triste e prometeu realizar o sonho de sua mãe, embora sua abordagem de dia das mães fosse bem diferente, diz Antolini. Enquanto a mãe queria celebrar o trabalho das mães por melhorar a vida dos outros, a perspectiva de Anna era a de uma filha dedicada. Seu lema para o dia das mães era “Para a melhor mãe que já viveu – sua mãe”. Era por isso que deveria ser no singular, não plural.

“Anna imaginou o feriado como uma volta para casa, um dia para homenagear sua mãe, a única mulher que dedicou a vida a você”, diz Antolini. A mensagem poderia tocar todo mundo e também se comunicava com as igrejas. E a decisão de Anna de ter colocar essa data no domingo foi uma jogada inteligente, diz Antolini.
Três anos após a morte da mãe dela, o primeiro dia das mães foi celebrado na igreja metodista de Andrews, em Grafton. Anna Jarvis escolheu o segundo domingo de maio porque seria sempre próximo de 9 de maio, o dia em que sua mãe tinha morrido. Anna distribuiu centenas de cravos brancos, a flor favorita de sua mãe, para as mães que compareceram. A popularidade da celebração cresceu. Em 1910, o Dia das Mães se tornou um feriado do estado da Virgínia Ocidental e em 1914 foi designado feriado nacional pelo então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson.

Um grande fator para o sucesso do dia foi seu apelo comercial. “Mesmo que Anna nunca quisesse que o dia fosse comercial, logo isso aconteceu. Portanto, a indústria floral, a indústria de cartões comemorativos e a indústria de doces merecem parte do crédito pela promoção do dia”, diz Antolini. A idealizadora do Dia das Mães, revoltou-se contra a comercialização e a exploração política da data. Ao ver o preço das flores disparar, ela passou a atacar publicamente floristas e instituições de caridade, chamando-os de "piratas" e "gananciosos". Para Anna, o feriado deveria ser puramente sentimental e focado na celebração individual da figura materna, e não uma oportunidade para arrecadação de fundos ou lucro, mesmo que o objetivo fosse ajudar mães carentes.
?Além do conflito comercial, a data tornou-se um campo de batalha ideológico no movimento pelo sufrágio feminino. Enquanto conservadores usavam a maternidade como argumento para manter as mulheres no ambiente doméstico e longe da política, as sufragistas reivindicavam o direito ao voto como uma extensão natural do cuidado e da proteção ao futuro dos filhos. Assim, o "dia de Anna" distanciou-se de sua intenção original, sendo absorvido por debates sociais e interesses econômicos que ela tentou, sem sucesso, combater.
Diferente das indústrias que lucraram com a data, Anna Jarvis recusou qualquer ganho financeiro e consumiu toda a sua herança em uma batalha judicial e social contra a comercialização do feriado. Ela chegou a processar dezenas de organizações e a coletar assinaturas para tentar cancelar a celebração, terminando sua vida cega, surda e na pobreza. Anna faleceu em 1948 em um sanatório, enquanto sua irmã, Lillian, morreu de frio na antiga casa da família.
A obsessão de Anna deixou marcas profundas em seus descendentes, que por gerações evitaram celebrar o Dia das Mães por respeito ao seu sofrimento e à sua causa. Embora reconheçam o valor sentimental da data, familiares como Jane Unkefer herdaram uma visão negativa do feriado, mantendo a tradição de não realizar jantares ou comprar flores. Para a família, a data representa mais o sacrifício e a ruína pessoal de Anna do que uma festividade comercial.
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