Criadas em fazendas verticais e recheadas com restos de frutas, as moscas se tornaram alimento para animais e pilar de um empreendimento de economia circular na Costa Rica. Na localidade agrícola de Guápiles, 60 quilômetros ao norte de San José, uma empresa inovadora pôs para trabalhar as moscas que rondavam as plantações.
A mosca-soldado-negra (Hermetia illucens) é nativa de climas tropicais como o da Costa Rica e suas larvas engolem resíduos orgânicos sem parar. "É uma proteína de alta qualidade", disse à AFP Miguel Carmona, presidente da empresa ProNuvo.
Larvas de mosca tornam-se proteínas "mais saudáveis" para os animais e com menor impacto no meio ambiente que os alimentos a base de proteína animal (carne ou peixe) ou vegetal (soja), explica o empresário de 52 anos. Essa empresa dispõe de tudo do que é necessário no local. As moscas são endêmicas e são criadas em jaulas dentro de uma estufa a 40 graus Celsius e com alta umidade. Vivem ali por uma semana e depositam cerca de 500 ovos cada uma antes de morrer.
Quatro dias depois os ovos explodem e as larvas começam a se alimentar por 14 dias dos rejeitos orgânicos das plantações de banana, manga e mamão até engordar 10.000 vezes o seu peso, indica Miguel. "Essas larvas depois (se) tornam proteínas e óleos e gorduras bem ricas para alimentação animal", afirma à AFP Gabriel Carmona, CEO da ProNuve e irmão de Miguel. Além disso, os excrementos depositados pelas larvas são uma recompensa ideal para as mesmas plantações de frutas.
"Estamos praticando a economia circular", afirma Miguel.
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